A pergunta parece óbvia, mas faço mesmo assim: você acredita em você? Não responda agora, pois sua fala pode estar pronta como um macarrão instantâneo. Sem gosto, sem graça e artificialmente vitaminado. Basta encher de água quente, fervendo como ódio, que logo o ego infla dando ar de comida bem feita. E basta uma platéia para ouvir seus dotes, culinários ou não, que você se apropria de todas as receitas para mostrar o quão chef e mestre você é. Sim, amigo, fazemos isto com frequência. Buscamos todo tipo de fast food para nos afirmarmos como seres importantes, desejosos e alvitrantes. Usamos a mente como papagaio tagarela, buscando lacunas para preencher. Adoramos uma pesquisa, afinal, querem saber o que pensamos. Vasculhamos as roupas da moda no outlet americano, a preços módicos claro, mas só para nos fazer notar na passarela. Lemos livros de séries globalmente famosas – novela da Globo já não é tão impactante –, apenas para fazer parte do contexto. E assinamos o twitter – puxa! quanta tecnologia – simplesmente para assumir a pole digital. Triste prole. Pois é no meio deste furacão, tão furioso como o katrina, que deixamos de lado a credibilidade. É ensaiando ideias, anseios, rejeições e filosofias que plastificamos a alma. Descrédito, antes de má fama ou desonra, é definido como perda ou diminuição da estima. É falta de confiança o nome. Irônico, pois se tudo o que fazemos tem por intuito algum tipo de reconhecimento – de ser percebido pelo(s) outro(s) –, é pela mesma via que nos tornamos menos crédulos de nós mesmos. Está incrédulo? Perdão, olhe para si primeiro. Com olhos de ver, assuma a hipocrisia de querer levar vantagem na vida sem notar que a vida é a sua própria vantagem. Pratique atos generosos fitando os olhos de quem lhe dá a oportunidade de realizá-los. Não esconda suas dúvidas sobre a existência, se há algum sentido em tudo isso, como irá descobrir se continuar esnobe e cheio de certezas? E, por fim, não tema a morte. Como ouvi num belo ensinamento recente, é certo que ela chegará e incerto quando será. Para acreditar em você jogue fora o que deseja que os outros joguem. Não adianta notar suas necessidades quando está necessitado. Ofereça enquanto puder, preocupe-se com os outros enquanto está sem preocupações, alivie o sofrimento enquanto não sofre e ame tudo enquanto está vivo.
©Este post é um compromisso pessoal, não leve com você se não estiver preparado. Mas se estiver, abrace-o com plenitude e realize a verdade dentro de você. Que todos os seres possam se beneficiar.
Um único verso é preciso para perceber o Universo. Porque nele está contido aquilo que versa uníssono. Através do som, propaga o verbo. Mas quando um verbo é falado, nada de fato é propagado. Pois, se ao ressoarmos um verso criamos um mundo, quando o verbo se cala tudo dissipa. A palavra é livre em essência, e por isso liberta. Esse é o poder da fluência, como um rio que leva vida e frescor ao sabor dos ventos. Mutante, quando se forma em poesia é belo. Quando se constrói em conceito é argumento. E quando entra na prosa é desperdício. Se está preocupado com a gramática, cuidado, é quase presunção. Toda regra há excessão. Porque a regra é uma forma. E a forma que se escreve e se lê, é como a forma que se olha e se vê. Num momento fatual e consistente, noutro ilusória e impermanente. Perene somente é a natureza da mente. Vazia, serena, bondosa e constante. Mas basta um barulho horripilante, um uivo errante, um bobo falante e uma formiga pedante que logo perdemos a clareza quietante. A vida sopra assim, ecoando palavras, enunciando verbos, evaporando pensamentos. E como pensar é refletir sobre si mesmo, fazer eco do que é correto é agir com amor e compaixão que dão a volta no mundo e retorna a ti com a mesma intensidade. Pois, deixar de reverberar tsunamis de ignorância e desespero é um primeiro passo – fácil por sinal – que todos deveriam fazer para ver brotar um planeta melhor, no presente. Sim, porque do reverberante também respandece luz e sabedoria. Basta apenas você entoar o mantra certo e tudo se transforma. “No princípio era o Verbo” (João 1:1). Proferido em Sílaba, acrescento. E por causa disso tudo, hoje vou tomar uma Tônica.
