Acredite em Você

5 11 2009

A pergunta parece óbvia, mas faço mesmo assim: você acredita em você? Não responda agora, pois sua fala pode estar pronta como um macarrão instantâneo. Sem gosto, sem graça e artificialmente vitaminado. Basta encher de água quente, fervendo como ódio, que logo o ego infla dando ar de comida bem feita. E basta uma platéia para ouvir seus dotes, culinários ou não, que você se apropria de todas as receitas para mostrar o quão chef e mestre você é. Sim, amigo, fazemos isto com frequência. Buscamos todo tipo de fast food para nos afirmarmos como seres importantes, desejosos e alvitrantes. Usamos a mente como papagaio tagarela, buscando lacunas para preencher. Adoramos uma pesquisa, afinal, querem saber o que pensamos. Vasculhamos as roupas da moda no outlet americano, a preços módicos claro, mas só para nos fazer notar na passarela. Lemos livros de séries globalmente famosas – novela da Globo já não é tão impactante –, apenas para fazer parte do contexto. E assinamos o twitter – puxa! quanta tecnologia – simplesmente para assumir a pole digital. Triste prole. Pois é no meio deste furacão, tão furioso como o katrina, que deixamos de lado a credibilidade. É ensaiando ideias, anseios, rejeições e filosofias que plastificamos a alma. Descrédito, antes de má fama ou desonra, é definido como perda ou diminuição da estima. É falta de confiança o nome. Irônico, pois se tudo o que fazemos tem por intuito algum tipo de reconhecimento – de ser percebido pelo(s) outro(s) –, é pela mesma via que nos tornamos menos crédulos de nós mesmos. Está incrédulo? Perdão, olhe para si primeiro. Com olhos de ver, assuma a hipocrisia de querer levar vantagem na vida sem notar que a vida é a sua própria vantagem. Pratique atos generosos fitando os olhos de quem lhe dá a oportunidade de realizá-los. Não esconda suas dúvidas sobre a existência, se há algum sentido em tudo isso, como irá descobrir se continuar esnobe e cheio de certezas? E, por fim, não tema a morte. Como ouvi num belo ensinamento recente, é certo que ela chegará e incerto quando será. Para acreditar em você jogue fora o que deseja que os outros joguem. Não adianta notar suas necessidades quando está necessitado. Ofereça enquanto puder, preocupe-se com os outros enquanto está sem preocupações, alivie o sofrimento enquanto não sofre e ame tudo enquanto está vivo.

©Este post é um compromisso pessoal, não leve com você se não estiver preparado. Mas se estiver, abrace-o com plenitude e realize a verdade dentro de você. Que todos os seres possam se beneficiar.





Mudança de Habitat

23 10 2009

Um prisioneiro habita uma cela que ele mesmo construiu. Suas atitudes prévias de roubar ou matar, hábitos que provavelmente recebeu de outra pessoa, são como tijolos que se agrupam até que uma nova realidade se crie. Antes de escrever este texto, o post anterior pedia justamente isso: que as pessoas se pronunciassem antes do conteúdo final, que mudassem o seu hábito. O meu amigo Jaime foi o único, dentre as centenas de acessos, que o fez. Talvez pela amizade, talvez porque se sente a vontade no meu habitat digital. Sim, a relação de dependência entre hábito e habitat vai além da semântica. O hábito gera o habitat e o habitat mantém o hábito. Como seres humanos temos alguns hábitos. Prazer em nos alimentar, prazer em fazer sexo, prazer em ser reconhecido como alguém importante, prazer em fazer compras e etc; são hábitos convencionais. Mas há outros hábitos que nos revelam menos prazeirosos. Somos habituados a julgar, a punir, a acusar, a mandar, a negar e outras formas ignorantes de trabalhar a nossa mente. Estes hábitos são verdadeiras pedras ilusórias no caminho da felicidade. Agimos assim porque a história humana criou o hábito, e consequentemente o habitat, de sobrepujar seu semelhante e todos os seres que habitam o mesmo planeta. Pior do que a experiência de um fumante ou um alcoólatra, que sabe o quanto suas atitudes serão prejudiciais no futuro, toda a humanidade é viciada em manter o hábito das não virtudes que limitam a mudança para um estado de plenitude maior. Quem pensa que este habitat é o único possível, certamente não se deu conta de quantos estados sua mente já vivenciou. Da compleição em êxtase do bebê que mama no seio da mãe ao ódio de ser privado de qualquer prazer mundano, quem nunca experimentou as ambivalências? Nem um, nem outro transformam. Ambos são hábitos que geram habitats. E como somos levados como náufragos em um mar revolto, nosso tempo na terra se torna a cada dia mais escasso e mais fútil. O homem vive em busca de novos mundos pelo espaço sideral. Mas bastaria apenas invadir o espaço mental. Nele se encontra os hábitos que precisamos quebrar para descobrir um novo habitat. Olho para fora e vejo uma lagartixa mantendo seus hábitos alimentares com vários bichinhos seduzidos pelo poder da luz. Ela está de barriga cheia, satisfeita. Mas não tem a menor noção de que vive no meu habitat. E você, onde vive de fato?

©Texto a ser publicado na próxima edição do jornal O Local. Que todos os seres possam se beneficiar.





Mudança de Hábito

11 10 2009

Escrever num blog é um hábito. Acordar, tomar o café e trabalhar, além de todas as atitudes comuns da vida, são apenas hábitos. Achar a vida bela, sorrindo para tudo, ou infeliz, caindo em depressão, também são hábitos, mentais. Se você tem o hábito de deixar mensagens para posts que já estão prontos e acabados, chegou a hora de mudar. O que é hábito para você? Em alguns dias retorno para mudar o meu hábito; ler seus comentários antes de finalizar este post. Abraços!

O complemento deste post se encontra a seguir, leia!

©Que todos os seres possam se beneficiar.





eccorretto

20 09 2009

eccorrettoUm único verso é preciso para perceber o Universo. Porque nele está contido aquilo que versa uníssono. Através do som, propaga o verbo. Mas quando um verbo é falado, nada de fato é propagado. Pois, se ao ressoarmos um verso criamos um mundo, quando o verbo se cala tudo dissipa. A palavra é livre em essência, e por isso liberta. Esse é o poder da fluência, como um rio que leva vida e frescor ao sabor dos ventos. Mutante, quando se forma em poesia é belo. Quando se constrói em conceito é argumento. E quando entra na prosa é desperdício. Se está preocupado com a gramática, cuidado, é quase presunção. Toda regra há excessão. Porque a regra é uma forma. E a forma que se escreve e se lê, é como a forma que se olha e se vê. Num momento fatual e consistente, noutro ilusória e impermanente. Perene somente é a natureza da mente. Vazia, serena, bondosa e constante. Mas basta um barulho horripilante, um uivo errante, um bobo falante e uma formiga pedante que logo perdemos a clareza quietante. A vida sopra assim, ecoando palavras, enunciando verbos, evaporando pensamentos. E como pensar é refletir sobre si mesmo, fazer eco do que é correto é agir com amor e compaixão que dão a volta no mundo e retorna a ti com a mesma intensidade. Pois, deixar de reverberar tsunamis de ignorância e desespero é um primeiro passo – fácil por sinal – que todos deveriam fazer para ver brotar um planeta melhor, no presente. Sim, porque do reverberante também respandece luz e sabedoria. Basta apenas você entoar o mantra certo e tudo se transforma. “No princípio era o Verbo” (João 1:1). Proferido em Sílaba, acrescento. E por causa disso tudo, hoje vou tomar uma Tônica.

©Este texto, a ser publicado na próxima edição do jornal “O Local”, é uma homenagem aos meus amigos Andrea Turquetti e Ricardo Mendes que estão iniciando a nova marca eccorretto. Muito mais que uma divulgação de seus trabalhos, que também são lindos, é uma atitude de fazer ecoar suas aspirações para que o mundo ganhe atenção ecológica e social, para que todos os seres possam se beneficiar.





Raça Man

1 09 2009

O maior artista pop do mundo não poderia viver até 2010. Além de seu talento nato para cantar, compor, dançar, produzir e inovar, ele foi responsável pela transformação mais impressionante que o planeta viu. De black power se tornou uma espécie de andrógino branco saído das telas de Blade Runner. Suas raras aparições na mídia nos últimos tempos e os supostos escândalos sexuais do ídolo, nunca abalaram o que ele representava como ícone da era pré-replicantes. Cheguei a refletir, certa vez, sobre a razão dele nunca ter sido confrontado por lideranças negras americanas, ou mesmo africanas, pela sua possível posição autoracista. Ao contrário, ele sempre foi acolhido e aclamado pela comunidade negra nos quatro cantos do globo. Sim, porque a acidez da mente racista não é algo que conseguimos compreender de imediato. Ela vem disfarçada de discursos e até muita lógica e razão. Racismo, por princípio, possui um ideal de superioridade. E todos nós, pela nossa frágil natureza humana, já tivemos momentos assim. Seja com um cãozinho, seja com um pedinte no farol. Entretanto, o que acontece com o povo negro, penso, vai além da vida de Michael Jackson. O continente africano possui o fardo do racismo de longa data. Desde as infindáveis batalhas territoriais de seus aborígenes, até o mercado negreiro estabelecido pelos europeus na expansão de seus domínios; o que este povo sempre sofreu é sinal de um sombrio estado de consciência. E aqui, música, movimento e racismo se encontram mais uma vez em prol da elevação espiritual, da consciência negra. O que está por trás da filosofia Ratafári, do reagge de Bob Marley, da urbanização sonora do Cidade Negra, do Blues do Mississipi ou da Georgia, do samba de raiz tupiniquim, da guitarra de Jimi Hendrix, da voz de James Brown e do Seu Jorge, da maestria de Gilberto Gil e da genialidade do Pelé; é a mesma sabedoria. Todos, como o garoto Michael, nos mostram como é belo poder ser “Black or White” – sim, vale a pena ouvir a canção – sem medo, sem superioridade. Tornar-se branco não é, de forma alguma, uma atitude racista. Sentir-se negro, através da arte, do futebol e da música, muito menos. Quem assim enxerga, preso a estética externa, precisa olhar para dentro da sua alma analisando os motivos de tal pensamento. Há algo de superioridade ali dentro. Para finalizar, explico a primeira frase deste texto. Ano que vem a Copa do Mundo será na África, pela primeira vez na história. Se Michael Jackson estivesse vivo, não teríamos a chance de homenagear sua história transformando um país de hegemonia negra em uma festa de todas as cores, com todas as raças. Desejo com todo amor e compaixão que 2010 seja um ano de mudanças na consciência humana.

©Este post foi inspirado em um pedido da Tatiana, leitora deste blog, para comentar sobre o novo disco do Natiruts, “RaçaMan”. Só pelo nome do álbum, que mistura tudo, raças e línguas, nem é preciso comentar muito. Mas ao ouvir “Sorri, Sou Rei”, imaginei que poderia ser uma homenagem ao Rei do Pop, um verdadeiro raça man da igualdade, quando o refrão diz: “Quando você se foi chorei, chorei, chorei. Agora que voltou sorri, sorri, sou Rei”. Que todos os seres possam se beneficiar.





Quando Acordar

26 08 2009

Pai_filho

Sonho em um dia acordar do sonho. Durmo, acordo e continuo sonhando. Os sonhos dos outros, os pesadelos também. Profundos, puros ou imundos, não importa; vejo sonhos. Meu filho, então, pergunta: “pai, o que vamos fazer amanhã, depois de acordar?” Mergulho de novo no sonho. Escovar os dentes? Tomar um café? Brincar com os cães? Lindos sonhos. Miro em seus olhos, sem saber como será o dia em que vamos acordar. E algo forte, nesse lúcido sonho, me desperta. Será que bebemos do sonífero que produzimos ou ficamos hipnotizados pelo sonho alheio?  “Hum, filho, já sei o que vamos sonhar!”. Não afirmo, apenas sonho em silêncio… “Quero o seu bem, que ele tenha bons sonhos”, portanto, a resposta sai de letra… “Ah, filho, quando acordar, vamos fazer qualquer coisa juntos, você escolhe… qual é o seu sonho?” Quando acordar ainda vou sonhar.

©Sonho e desejo são diferentes. Ser pai e companheiro também. Ao servir aos desejos do outro, vê-se o sonho mais nitidamente belo, prazeiroso e incrivelmente leve. E todos os seres podem se beneficiar.





Influenza P

13 08 2009

Era hora de escrever esse artigo. Pensando no assunto, abri a caixa de e-mail e fui totalmente influenciado pelo que li. O assunto: gripe suína, H1N1. O contexto: mudar a mente. Não quero reproduzir o conteúdo, para não causar influência. Volte aqui após ler o post no blog do João Carlos Cordeiro, que parece-me ser o autor.

Bom, agora que voltou, tentarei dar minha contribuição. Achei notável a conexão entre doença, crise financeira, guerra e mente. Sim, porque a capacidade de um vírus agir e de uma guerra acontecer está intimamente ligado a forma como nossa mente processa a informação, como vivemos a vida. Ou melhor, na maneira como aprendemos a trabalhar a energia, o carma, o hábito de reter tudo; seja bom, seja ruim. Por exemplo, quantas vezes na vida você propaga para as outras pessoas o que você recebe de benefícios? Quantas vezes deixa fluir a alegria, sem permitir que ela seja extinta num ato egoísta de mantê-la apenas em você? Seguindo a visão lingüística do post, egoísmo é antonímia de desprendimento, de desapego. Sim, o ego se apega a tudo. O ego tem ambição, cobiça, impaciência, ganância, inveja, sofreguidão. Quer possuir, quer acumular, conter, encerrar. Esse é o desejo que caracteriza o reino humano. Nosso desejo é o nosso mal. E tudo isso está ocorrendo dentro da mente. Em sua atitude histórica podemos notar os reflexos. Avidez econômica, centralização de poder e domínio social são influenzas. Muitas delas também levam a morte, por enfarto, suicídio ou assassínio. As vezes levam a loucura e geram estados febris de ódio, raiva e violência. Basta abrir os jornais e ler como os seres humanos são influenciados pela ignorância da mente. Ironicamente, nosso instinto de preservação é também nossa causa de falência. Que mais uma vez “combina” com falecimento. Que por sua vez, é o mesmo que falha. Procure no dicionário. Falência, falecimento, falha. Ressalto as três palavras para você despertar a sua mente. Para você perceber o erro. Ele acontece quando mente pratica a influenza, a retenção de tudo o que recebe, sem notar – isso é importante – que ela recebe dela mesma. Claro, porque para deixar fluir o rio precisa ser um só. O motivo da relação entre estados caóticos econômico-sociais e calamidades sanitárias é porque a mente não cria uma influência positiva. Mas em algum momento ela precisa parar e olhar para si mesma. Precisa mudar o fluxo negativo através da dedicação e da generosidade; deixando fluir bem-estar, felicidade e saúde.

©Artigo a ser publicado na próxima edição do jornal “O Local”. Que todos os seres possam se beneficiar.





O Vampirismo da Singularidade

7 08 2009

Pense bem e responda: se pudesse escolher, você aceitaria viver eternamente com o corpo e a mente de hoje? Apesar de parecer óbvio a resposta, não me arisco a responder. Ao chegar a singular idade dos 60 anos, o cientista mais aclamado e popular do mundo atualmente, Ray Kurzweil, traz esperanças messiânicas aos seres humanos. A Singularidade é uma teoria nascida nas cavernas da inteligência artificial e sua projeção aponta a uma realidade onde a máquina, ou nano-robôs, irão ser integrados ao corpo humano, aumentando não só a capacidade de força e memória, mas a capacidade de sobrevida até a… eternidade. O peso de tal afirmação é tamanha que o meio científico a considera como uma nova religião mundial, que começa a abarcar milhares de pessoas ao redor do planeta. Ray Kurzweil é uma espécie de cientista maluco. Premiado desde a infância pelas suas inovações – criou um game musical e, posteriormente, foi responsável pelo reconhecimento de texto e de voz por computadores – tem uma fé inabalável acerca das suas projeções. Próximo da terceira idade, ele acredita que ainda poderá ser beneficiado pela Singularidade. Gosta de acumular tralhas, hábito que recebeu de seu pai já falecido; e de considerar o avanço tecnológico como o maior desenvolvedor da consciência universal. Sua crença chega até a pregar que seremos obsoletos no futuro, dominados por máquinas que irão possuir uma inteligência mais avançada. Uma espécie de fusão inevitável, onde homem e máquina serão indissociáveis. Em toda a sua teoria, muito plausível por sinal devido ao crescimento exponencial da tecnologia, fiquei com dúvidas importantes. Como seria viver ad eternum com os mesmos potenciais problemas que vivemos atualmente? E com as mesmas limitações? E mais, como seria a relação dos seres robóticos sem um sistema de comando central, capaz de evitar conflitos de programas rodando com objetivos diferentes? O maior erro da ciência material é não notar a sutileza da mente. Entender a realidade como uma operação individualizada somente – fazemos isso o dia inteiro quando acessamos as redes sociais tentando ser isso ou aquilo, melhor que esse ou aquele, ter mais acessos ou menos que tal blog, etc –, é perder o verdadeiro sentido de evolução. Mas esse salto, muitas vezes só é possível após a morte. Temê-la, usando subterfúgios tecnológicos pode gerar um grande sofrimento no futuro; que já está programado e um dia chegará. Sonhos tecnológicos, fantasias vampirescas e poder sobre a vida são ilusões da mente. São desejos disfarçados de pensamentos poderosos. Ocupe-se em descobir o que está por trás dos desejos. Olhe apenas para dentro e deixe o resto como está, praticando a compaixão por todos. Há um tesouro singular esperando por você.

©Que todos os seres possam se beneficiar.





Férias dos Sonhos

5 08 2009

Com tranquilidade, e alguma indiferença, fui recebido pelo meu anfitrião. Silencioso, ele abriu a porta e foi logo mostrando onde colocar as malas. Sua casa era um sobrado na periferia da cidade e tinha pouca alvenaria. Os detalhes em madeira maltratada pelo tempo davam um ar de pobreza ao lugar. Internamente também, a arrumação não era das melhores. Mas o amigo que o havia indicado era de confiança e, mesmo com um sinal de rudeza, ainda o tinha como um bom sujeito. Ofereceu-me uma cama em boas condições, pareceu-me até que era a mais confortável de todas. E indicou onde poderia me trocar. Ele precisava sair cedo de casa e rapidamente fomos dormir. Acordei com um barulho forte de gente batendo na porta. Por pouco não ruiu e tombou no chão. Levantei veloz. Ao abrir, um grupo de policiais – que mais pareciam da quadrilha do jogo do bicho – avançou. Contaram-me que estavam à procura do fugitivo. Em sua busca, na qual fui obrigado a descobrir um fundo falso no teto de madeira, encontraram mais de 5 armas de alto calibre. Duas delas, eu mesmo entreguei sem saber o que fazia. Foi tudo instantâneo e, de repente, encontrava-me sozinho de novo. Cheguei a pensar em sair em disparada, mas recuei. Fiquei com medo de que o homem, agora um barbudo do mal, voltasse e me fizesse refém. Mas recusei também o pensamento. Então, antes mesmo do almoço ele retornou. Sem receios, lhe contei o ocorrido. Ele olhou estranhamente. De pronto, emendei tudo o que senti sobre sua pessoa. Disse-lhe, sem pestanejar, que até arquitetava entregá-lo aos policiais. Mas fui sincero, outra vez, dizendo que meu coração não acreditava que ele pudesse ser aquilo. Seu rosto mudou na hora. Estava, de fato, perdido no tempo e no espaço. E minha aposta na sua credibilidade, franca e objetiva, gerou um sentimento de afeto dele para comigo. Algo que só os olhares explicam. Resolvemos, obviamente, fazer as malas. Agora, dos dois. Ele voltaria comigo para a minha casa. Estava me responsabilizando pelo seu desenvolvimento. Ambos sabiam dessa promessa interior. Abri os olhos e despertei para o dia 05 de agosto de 2009.

©Que todos os seres possam se beneficiar.





Casar Ditos

4 08 2009

Hoje escrevo o que sinto. Não minto. Gosto de vinho tinto. Sei que o universo é finito. Abissal, absinto. Vejo as críticas como instinto. O prazer como recinto. A dor como extinto. E o amor, esse sim, infinito. Hoje, agora, me permito; gozar a vida, praticar o rito. Abandonar o medo, maldito. Enfrentar a dúvida, não finto. Servir aos seres, benditos. E uma transformação, pressinto. Estão nascendo os obeliscos, que logo vão unir todos os distintos.

©Assista “O Casamento de Rachel”, do excelente diretor Jonathan Demme, com uma brilhante atuação de Anne Hathaway. Uma mistura de graça, raça, laços e esperanças. Mas, principalmente, um ensinamento sobre carma, impermanência, compaixão e vacuidade. Se você não conhece nada sobre isso, e quer saber, acesse o site do Odsal Ling. Que todos os seres possam se beneficiar.