Pingos sob o oceano

Debaixo do chuveiro, enquanto pingavam indagações acerca da existência, como era comum desde a infância, recordei de forma abrupta o instante da minha morte noutra vida. Num milésimo de segundo um clarão se fez e com ele um sentido óbvio de tudo o que havia acontecido na minha existência atual até aquele momento. As angústias filosóficas de perseguir o sentido das coisas acalmaram. As culpas jogadas nas costas dos meus pais perderam o poder ilusório. E uma noção límpida de ter descoberto o mestre interior brotou sem esforço. Hoje, após alguns anos, esse instante é tão presente quanto aquele dia. A diferença é que não há surpresa, nem tantas dúvidas sobre o que é preciso fazer. Lembrar, só lembrar deste súbito insight é o que espero agora e em vidas futuras.

®Tenha certeza de que chegou aqui porque precisa ler esta mensagem. Não importa compreender, mas ao ser tocado pela verdade algumas portas se abrirão. Apenas não pense que será fácil, pois não o é.

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4 thoughts on “Pingos sob o oceano

  1. extraordinária experiência! há quem a chame de “iluminação”, eventualmente divina. será o “mestre interior” deus ou simplesmente um outro “eu”, aquele que se esconde por baixo da nossa “persona”?
    eu tive a experiência de me ver no espelho como uma estranha a olhar para mim, soa pouco interessante, mas é terrifiante!!!!!!!!!!!!! fiquei traumatizada!
    PS: não percebo nada de filosofia, mas até a mais simples pessoa pode ter angústias filosóficas sem saber que é assim que se chamam 🙂

  2. Olá, minha amiga detentora de jóias! Não é a toa que trabalha na construção de pequenos tesouros para mãos e mentes.

    Apesar de não compreender os motivos de tal anedota universal, acredito totalmente que um “eu” é sempre ilusório.

    Vejo-nos como fragmentos espalhados no espaço-tempo, como um filme que cria a sensação de movimento e existência através de um simples rolo de plástico.

    Você tem razão, é terrível ser e não ser ao mesmo instante. Mas largar o apego nesta vida a um idéia de “eu” pode ser uma ferramenta importante na hora da morte. Na verdade, é nossa única opção.

    Tens anéis para homens?! 😉

  3. que o “eu” é ilusório, tenho a certeza também, mas ser possível aperceber-nos disso – isso é demais para o meu entendimento 🙂 e se o pensamento de que o eu é ilusório é uma ilusão também? ahah! 🙂
    prefiro concentrar-me no meu mundo pequeno, de superfície: anéis, bla-bla… a primeira vez que pensei no facto de que o universo é tão grande e não sabemos o que há lá, fora, fiquei desesperada e era só uma criancinha! se pensarmos mesmo a sério nisso – podemos perder o juízo! aquele que nos resta.
    portanto… pintar, modelar, brincar, ler, ver… isto é que dá!
    anéis para homens? não tinha pensado nisso. só se forem uns muito grandes, tipo argolas, para lhos pôr por cima da cabeça e parecerem santinhos! 🙂

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