A resposta do Sábio

Enquanto esperava a patrulha policial passou por mim um homem. Andarilho de profissão, nem notou a minha presença sentado na encruzilhada. Confiante na força do universo, chamei-o com rapidez: “Senhor, por favor, gostaria de pedir uma opinião”. Para minha surpresa ele não se espantou. Apenas parou na minha frente e acenou com a cabeça, enquanto continuei com a questão. “Estava vindo por essa estrada, muito bela por sinal, e vi esse caminho que me deixou intrigado. Porém, desde a hora que parei, até agora, não sei qual dos dois caminhos seguir. Você conhece essa pequena trilha? Sabe onde vai dar?”. Serenamente, ele fitou meus olhos com precisão e disse: “Não, nunca trilhei esse caminho. Mas posso lhe dizer onde dará. Se por esta grande via, de riqueza e alegria, irás encontrar o que sempre experimentou na vida, pela estreita também encontrarás o mesmo. Lá não há asfalto no chão, mas ainda há chão. Não tem palácios astronômicos, mas há o abrigo que o protegerá do sol e da chuva. Não há banquetes, mas há frutos até mais saborosos, pois os vai encontrar ainda puros, no pé”. Terminou e ameaçou partir, mas o impedi novamente com outra dúvida: “Sim, entendo, mas acho que ainda não tenho uma resposta clara. Tudo isso é verdade, porém…”. Desta vez foi ele quem interferiu na minha fala, de forma abrupta, confesso. E, mais claro do que nunca exclamou: “Tudo isso NÃO é verdade! O que busca, tanto num caminho, como no outro, não poderá ser alcançado. Porque os dois são ilusórios.”

©Este post é uma sequencia do anterior. Agradeço ao universo por trazer a minha mente-coração as respostas que elucidam o caminho. E desejo que elas possam iluminar o caminho de todos os seres.

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4 thoughts on “A resposta do Sábio

  1. ah, ok, enganei-me um bocado. portanto, dá tudo na mesma, é isso? então, se todas as escolhas que fazemos são ilusões, todos os caminhos, já não faz sentido o ascetismo, a decência, as rezas. etc.
    ?

  2. Sim e não, Clarisa. Sim, nossas escolhas são entendidas como ilusórias porque elas são impermanentes, naturalmente volúveis. Nos prendermos (apego) é gerar sofrimento para nós e para outros seres. Mas não devemos entender essa qualidade natureza apenas pela razão, porque corremos o risco de uma visão niilista. Há um sentido claro na moral e nas práticas espirituais, que é o “exercício” da compaixão.

    Estes dois posts são resultado de uma recente experiência pessoal. Apesar do simbolismo, realmente experimentei esta divisão da mente. Peço desculpas se tornei a questão tão aberta e, por isso, provavelmente confusa para você e outros leitores. Tomarei mais cuidado das próximas vezes. 😉 Boa semana!

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