Information Society

information-societyO escritório todo vagava como formigas que perderam o rastro. Era segunda-feira, plena manhã, e o problema técnico gerava outro psicológico. Ninguém sabia o que fazer sem a conexão com a internet. A maioria andava de mesa em mesa para tricotar sobre o fim-de-semana. Outros, mais preocupados com a situação, foram direto ao departamento de informática para solicitar providências imediatas. “É preciso ver isso já, tenho um projeto para entregar ao meio-dia!”, resmungou o atrasado de plantão (visto que já deveria ter concluído o assunto na sexta-feira). “Olha, precisa ser logo mesmo, o cliente já me ligou dizendo que mandou um email importantíssimo!”, completou o gerente de planejamento. É verdade, estavam perdendo tempo. A máquina empresarial dos nossos dias é como a indústria do século passado, está sempre em efetiva produção. A única diferença é que hoje se fabrica muito mais informação do que antes. O setor de serviços, por exemplo, não para de crescer, enquanto a produção de bens sofre refração seja pelas novas políticas ambientais, seja pela recente crise econômica mundial. Entretanto, a produção de informação não se freia assim; apertando um botão. Quanto mais caos, dúvidas e insegurança, mais palavras são jogadas no ventilador global para fomentar a receita ou a especulação. Sim, estamos na era da informação e a equipe do escritório não tinha outra forma de compreender aquela situação; se não, cobrando agilidade dos responsáveis pelo departamento de informática. Enquanto a discussão fermentava e as tendências estéricas eclodiam, alguém no fundo da sala lançou um som pelo ar. A trilha era antiga, poucos conheciam, mas rapidamente tomou conta do ambiente pela inusitada surpresa. “Running”, de uma influente banda dos anos 80, foi o hit escolhido. Uma mistura de digital music com rap na sua forma mais crua. Enquanto os beats ecoavam chocando-se ao insignificante debate da falta de conexão, os mais engraçadinhos começaram a mexer as cabeças num tom frenético que mais serviam para incomodar do que apaziguar os ânimos. A reação viral foi imediata. Como uma onda imbecil, todos os presentes começaram a dançar simulando atos robóticos sem pudor algum. Quem chegava na sala via uma cena bizarra, um grupo de profissionais “brigando” do lado esquerdo e um bando de nerds estranhos remexendo as cadeiras à direita. Ou seja, era imediatamente contagiado pela estupidez generalizada. E no meio daquela baderna, alguns comentários iam tomando forma. “Isso é novo?”…“Hum, não sei, mas tá me parecendo mesmo um movimento cyberpunk desordenado, hehehe… Willian Gibson deve tá chorando!”. “Que nada, meu amigo…”, retrucou o mais animadinho aos pulos, “… isso aqui chacoalha até o Alvin Toffler… muito mais tesão que ler a Terceira Onda… Há!”. Perdidos no labirinto eletrônico que grampeou até sucessos como “Repetition”, “How Long” e “Think”, só perceberam que a ordem havia sido dominada pelo caos quando apareceu o presidente, repentinamente exclamando: “Que merda é essa?!”. Desavisado e já com a gravata na testa, o espertinho que deu play ao show levantou a cabeça por trás da baia respondendo emocionado: “É Information Society… demais, não?!”. Só teve tempo de fechar os olhos com cara de medo, quando o técnico da rede gritou mais alto que todos: “Voltou, a web voltou!”. E como um movimento natural de bactérias que contaminam um corpo saudável, todos avançaram aos postos de trabalho em silêncio. Parecia que nada havia acontecido. E, de fato, nada havia. Era apenas a cabeça imaginativa do novo estagiário processando a informação da falta de link.

©Nossa época é marcada pela relação com a informação. No final da década de 80 uma banda se proclamou “Information Society” através de uma música de ruptura digital. Foi o início de uma mudança que perdura até hoje, com a explosão das mídias e dos estouros das bolhas financeiras. Apesar de parecer óbvio, a idéia de uma sociedade da informação ultrapassa até a noção evolutiva do homem. Informação é nossa composição básica, não apenas nosso destino. Somos informação desde a nossa origem. E através de informação, navegamos entre os tempos acreditando que formamos sociedades que se desenvolvem e se modificam. Não ter a percepção clara disso nos faz incompletos e distorcidos. A informação é energia em forma de comunicação, em forma de link. Seja na linguagem corporal, verbal ou mental, a informação não apenas estabelece a teia da conexões como é a própria formadora da realidade. O que geramos se torna o futuro. Em outras palavras, a informação é uma jóia preciosa que permeia toda existência e precisa ser entendida com esta qualidade para não se tornar obsoleta, nem prejudicial. Informação ruim é sofrimento. Desejo que todos os seres possam estabelecer um link direto com a realidade absoluta, sem cair a conexão!

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2 thoughts on “Information Society

  1. Hehehe… Nem pensar, Clarisa. Somos outro tipo de “máquina”. 😉
    Mais que um ideal, o link direto é uma realização que todos nós temos acesso. Só não o temos tão claro pela distorção da mente, que se utiliza da informação como alimento da ilusão. É no “processamento” que se dá a falha. É no seu ajuste que se dá o despertar.

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