Conto da Linha

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Ultrapassar o limite era tudo o que precisava para alcançar seu sonho. Com os pés cravados em frente àquela linha amarela, não havia um milésimo do relógio que não era atentamente acompanhado pelo sujeito. Esperava o sinal derradeiro para se lançar sem nada pensar. Sentia o corpo pulsar, o coração estava acelerado. Os pulmões ofegantes. O estomago fritava. Os impulsos eram fortes, mas não se comparava ao temor que batia em sua caixola. Será que ele ouviria o sinal de partida? Sim, havia um luminoso bem a sua frente, em tom vermelho encarnado. Mas e se alguém fosse o mais rápido? Não podia mentalizar essa dúvida estúpida, não agora. Ele não devia nem imaginar que isso podia acontecer! Mas a insegurança batia em seu peito, forte, feito criança. “Pára de pensar nisso! O sonho é mais importante. Só o sonho vale a pena…”, dialogava consigo próprio, aquele “ateurrorizado” ser. É triste ver como a mente absorve o intelecto do ser humano. Não há razões que superem os entraves psicológicos. Sigmund Freud, Carl Jung, Jacques Lacan, Mark Solmes e até a dupla sertaneja Cascatinha & Inhana estão certos. É na mais tenra idade que formamos as relações com o mundo que irão nos acompanhar para sempre. E nos momentos que desejamos ardorosamente alguma coisa, essa memória traumática é agitada como champagnhe barata de réveillon na praia; quente, que estoura pra cacete e faz espuma além da conta. Claro, não vamos dizer que doutrina do sangue frio é a solução dos nossos problemas. Mas olhar a vida com tensão também não dá tesão. O lance é que o purgante cenário era fato. Ele estava ali, sua cabeça era daquele jeito e não podia afrouxar um segundo sequer para conquistar seu objetivo. Então, após uma piscada de olho em câmera lenta, raios de luz emitiram o sinal esperado. Pééé… Sua reação foi imediata. Como um cavalo que salta buscando a pole do derbi, jogou seus músculos num movimento brusco alcançando o destino ferozmente e gritou alto, desembuchando todo sofrimento que havia guardado nos instantes fatídicos: “Me dá um sonho de creme?!”. Nem reparou na velhota atrás de si, que pegou a carteira com imagem do Batman exclamando… “Ôh, garoto, acorda!

©Inspirado no site da Mojo Books, onde você “mojifica” músicas com histórias que você imagina. Este conto foi soprado pela música “In the waiting line”, do grupo inglês Zero 7. Precisamos saber esperar na linha, pois a vida não tem o destino que imaginamos. Que todos os seres possam se beneficiar.

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