Luz no Crepúsculo

twilight1

O fim de tarde anuncia o crepúsculo. Após um expediente anestesiante, miro para fora da janela e percebo mais um dia que se foi, sem muito sentido. Ok, realizei alguns projetos, tive algumas idéias interessantes, mas a verdade é que no instante em que vejo o pôr do sol no horizonte – quando isso é possível nessa selva de pedra – sinto o coração um tanto mais pesado. Não é incomum brotar um estado mental típico das desilusões. Vejo-me como um morto-vivo, zumbizanzando pelo destino aparentemente simpless de acordar, especular, idealizar, projetar e retornar ao princípio. Que coisa mais estúpida! Buscamos construções que são meras casas de areia e não nos damos conta que ela desmorona, sempre. Lembro-me, então, do curioso sucesso mundial da obra “Twilight”, que até já virou filme. A história é basicamente uma literatura adolescente, mas podemos observar traços sugestivos de lucidez. Por trás da inspiração horripilante de uma garota que se apaixona por um vampiro, foi saboroso enxergar algum tipo de sabedoria na trama. Seus “zombies”, pelo menos os personagens principais, não são seres desmiolados ou psicopatas em busca do desejo a qualquer custo. Cientes de que estão presos no tempo e no espaço pela eternidade, desenvolveram uma qualidade emocional nunca antes vista, ou lida, em romances scary. Servem aos humanos protegendo sua vida e seus valores, num modelo de compaixão que todos deveríamos seguir em nossas vidas. Bem diferente do famoso lorde Drácula, símbolo animalesco que serve aos instintos obscuros, estes têm a capacidade de resistir ao impulso da tentação, do prazer, do orgulho e da luxúria que, de certa forma, são exatamente as veias pútridas da sociedade humana. Se a relação com a estirpe dos homens for proposital, podemos ir além. Notamos que eles são podres de ricos e não se misturam com a plebe. Enfim, não sei como a narração irá se desenrolar. Creio que não haverá grandes surpresas, afinal, os estúdios de Hollywood são os estúdios de Hollywood. Porém, nas minhas sinceras intenções, adoraria ver pela prima vez um vampiro escapar da fatalidade de viver eternamente encarcerado, podendo usufrir mais uma vez do amor humano. Se a Steph estivesse sintonizada com o despertar da nova consciência, certamente ela o faria. E você, se também olhar o crespúsculo com olhos de ver, também o fará.

©Encarar seres horripilantes com compaixão pode fazer brotar felicidade no seu coração. Que todos os seres possam se beneficiar.

Anúncios

6 thoughts on “Luz no Crepúsculo

  1. Vc menciona crepúsculo, num momento de luz(cidez); vc fala sobre um símbolo animalesco horrendo, que vivenciou o amor, sua causa/consequência; vc fala de vampiros e zumbis com a intenção de “fazer brotar felicidade” em nossos corações.
    É difícil, no ritmo que vivemos, apreciarmos o nascer e o pôr do sol; é fácil a sensação de zumbi.
    É bom que existam situações e pessoas, às vezes não agradáveis, que nos despertem e ajudem a nossa consciência.
    Thanks, buddy!

  2. Ricardo, eu acho linda a sua intenção, como sempre. ainda por cima sou da terra do Drácula (à propos, era Conde, não Lorde, como é que se pode enganar numa coisa tão importante :)) por acaso eu vejo no “símbolo animalesco” um lado muito romântico, que quase desculpa os horrores que faz à sua volta: o Drácula vira vampiro para ir à procura da mulher amada, através dos tempos. uma procura que nunca acaba… ou seja, o homem vende a alma para tentar ficar novamente ao lado do amor dele, de qualquer forma e em qualquer tempo… não é bonito?

  3. Olá, Clarisa. Obrigado pela correção, você tem razão, Drácula era um Conde e não Lorde. A minha intenção não era fazer referência ao seu título, apenas denotar a sua nobreza, seu perfil luxurioso. Porém, ao citá-lo como famoso acabei dando ênfase a sua denominação honorífica. Também foi divertido saber que você nasceu, portanto, na Transilvânia. 😉 Muito giro! Sobre o romantismo da história, você citou um ponto importante de reflexão. Creio, até, que seja justamente o que encontro de diferença entre os dois contextos. A busca apaixonada do Conde Drácula é bela por um lado, do casal, mas é doentia por outro. Seu amor, gerado pelo apego, acaba sendo o causador de sofrimento, tanto para ele que vive uma vida faminta eterna, como para centenas de pessoas (se não milhares) que são atacadas por ele e pagam o preço do seu desejo. A questão aqui é muito delicada, pois nos projeta diretamente a nossa natureza humana. Quantas vezes agredimos os outros para nos “sentirmos bem”? Quantas vezes machucamos pessoas para obtermos objetos e situações almejadas pelos nosso ímpetos mais profundos? E, por fim, uma pergunta ainda mais sutil… vale a pena seguir nossos instintos se, quando morremos de fato, não levamos nada conosco? Penso que ao carregarmos internamente, e cegamente, os desejos para outra vida, simplesmente afirmamos nossa condição vampiresca. E, nesse sentido, Twilight parece ser diferente. 🙂

  4. bem, esqueci-me de mencionar que não nasci na transilvânia, mas sim na roménia, país do qual trasnilvânia faz parte (como bahia faz parte do brasil ;))
    gostava de ver esse twilight…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s