Férias dos Sonhos

Com tranquilidade, e alguma indiferença, fui recebido pelo meu anfitrião. Silencioso, ele abriu a porta e foi logo mostrando onde colocar as malas. Sua casa era um sobrado na periferia da cidade e tinha pouca alvenaria. Os detalhes em madeira maltratada pelo tempo davam um ar de pobreza ao lugar. Internamente também, a arrumação não era das melhores. Mas o amigo que o havia indicado era de confiança e, mesmo com um sinal de rudeza, ainda o tinha como um bom sujeito. Ofereceu-me uma cama em boas condições, pareceu-me até que era a mais confortável de todas. E indicou onde poderia me trocar. Ele precisava sair cedo de casa e rapidamente fomos dormir. Acordei com um barulho forte de gente batendo na porta. Por pouco não ruiu e tombou no chão. Levantei veloz. Ao abrir, um grupo de policiais – que mais pareciam da quadrilha do jogo do bicho – avançou. Contaram-me que estavam à procura do fugitivo. Em sua busca, na qual fui obrigado a descobrir um fundo falso no teto de madeira, encontraram mais de 5 armas de alto calibre. Duas delas, eu mesmo entreguei sem saber o que fazia. Foi tudo instantâneo e, de repente, encontrava-me sozinho de novo. Cheguei a pensar em sair em disparada, mas recuei. Fiquei com medo de que o homem, agora um barbudo do mal, voltasse e me fizesse refém. Mas recusei também o pensamento. Então, antes mesmo do almoço ele retornou. Sem receios, lhe contei o ocorrido. Ele olhou estranhamente. De pronto, emendei tudo o que senti sobre sua pessoa. Disse-lhe, sem pestanejar, que até arquitetava entregá-lo aos policiais. Mas fui sincero, outra vez, dizendo que meu coração não acreditava que ele pudesse ser aquilo. Seu rosto mudou na hora. Estava, de fato, perdido no tempo e no espaço. E minha aposta na sua credibilidade, franca e objetiva, gerou um sentimento de afeto dele para comigo. Algo que só os olhares explicam. Resolvemos, obviamente, fazer as malas. Agora, dos dois. Ele voltaria comigo para a minha casa. Estava me responsabilizando pelo seu desenvolvimento. Ambos sabiam dessa promessa interior. Abri os olhos e despertei para o dia 05 de agosto de 2009.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

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2 thoughts on “Férias dos Sonhos

  1. As fichas começam a cair, meu caro. As possibilidades estão mais próximas e elas não são nem boas, nem ruins. Apenas possibilidades. A compreensão é desejada, assim como a sabedoria e luz para tomar as decisões corretas. Há nisso tudo algo que não entendo, mas sinto. Aprendizado eu busco. E me beneficio da generosidade dos mestres e amigos.

    Abraço,
    Jaime

  2. Oi, Jaime. Desculpe a resposta tardia. Sim, possibilidades que, em essência, são vazias de significado. Nosso olhar, nosso carma é que define sua qualidade. Nossas ações prévias definem a forma com que sentimos o que nos rodeia. Se você agora sente a chegada dessa luz, dessa sabedoria, ela foi plantada por você mesmo. Abração e boa semana!

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