O Vampirismo da Singularidade

Pense bem e responda: se pudesse escolher, você aceitaria viver eternamente com o corpo e a mente de hoje? Apesar de parecer óbvio a resposta, não me arisco a responder. Ao chegar a singular idade dos 60 anos, o cientista mais aclamado e popular do mundo atualmente, Ray Kurzweil, traz esperanças messiânicas aos seres humanos. A Singularidade é uma teoria nascida nas cavernas da inteligência artificial e sua projeção aponta a uma realidade onde a máquina, ou nano-robôs, irão ser integrados ao corpo humano, aumentando não só a capacidade de força e memória, mas a capacidade de sobrevida até a… eternidade. O peso de tal afirmação é tamanha que o meio científico a considera como uma nova religião mundial, que começa a abarcar milhares de pessoas ao redor do planeta. Ray Kurzweil é uma espécie de cientista maluco. Premiado desde a infância pelas suas inovações – criou um game musical e, posteriormente, foi responsável pelo reconhecimento de texto e de voz por computadores – tem uma fé inabalável acerca das suas projeções. Próximo da terceira idade, ele acredita que ainda poderá ser beneficiado pela Singularidade. Gosta de acumular tralhas, hábito que recebeu de seu pai já falecido; e de considerar o avanço tecnológico como o maior desenvolvedor da consciência universal. Sua crença chega até a pregar que seremos obsoletos no futuro, dominados por máquinas que irão possuir uma inteligência mais avançada. Uma espécie de fusão inevitável, onde homem e máquina serão indissociáveis. Em toda a sua teoria, muito plausível por sinal devido ao crescimento exponencial da tecnologia, fiquei com dúvidas importantes. Como seria viver ad eternum com os mesmos potenciais problemas que vivemos atualmente? E com as mesmas limitações? E mais, como seria a relação dos seres robóticos sem um sistema de comando central, capaz de evitar conflitos de programas rodando com objetivos diferentes? O maior erro da ciência material é não notar a sutileza da mente. Entender a realidade como uma operação individualizada somente – fazemos isso o dia inteiro quando acessamos as redes sociais tentando ser isso ou aquilo, melhor que esse ou aquele, ter mais acessos ou menos que tal blog, etc –, é perder o verdadeiro sentido de evolução. Mas esse salto, muitas vezes só é possível após a morte. Temê-la, usando subterfúgios tecnológicos pode gerar um grande sofrimento no futuro; que já está programado e um dia chegará. Sonhos tecnológicos, fantasias vampirescas e poder sobre a vida são ilusões da mente. São desejos disfarçados de pensamentos poderosos. Ocupe-se em descobir o que está por trás dos desejos. Olhe apenas para dentro e deixe o resto como está, praticando a compaixão por todos. Há um tesouro singular esperando por você.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

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