Nó ou dó?

O nó que segura o barco é o mesmo que reflete na margem da vida. Sua reflexão é espelho do que foi devidamente entrelaçado previamente. Ao olharmos para ele como um entrave, deixamos de notar justamente sua principal matéria prima, frágil e dissoluta. Quem já tentou desatar um nó complexo sabe o que falo. Você procura qual o início de todo o emaranhado e acaba apenas encontrando duas pontas, que não necessariamente levam ao centro do enlace. Mas se tiver alento para desmanchar cada pequena amarra com tranquilidade, logo o conjunto se mostra menos invencível. Não digo que é fácil, ao contrário. Quem encontra sua nau com qualquer obstáculo que impeça o seu progresso, imediatamente sente a angústia de ver-se inoperante, inerte e debilitado. A saúde é um deles. A separação entre os seres é outro. E a exploração financeira, tão praticada pela humanidade, é mais um exemplo de embaraços que serão refletidos nas plácidas águas dos homens, mais dia, menos dia. E do nó devemos ter dó. Sim, porque a responsabilidade de todos os entraves que aparecem somos nós e nossas pobres mentes que se aferram diariamente ao objetivo de obter felicidade momentânea, sem perceber que aquela que nos prende hoje à tristeza foi exatamente esticada, fixada e herdada pelos mesmos atos viciosos no passado. Tenho dó, não de nos ver sofrer mais uma vez agora; mas pelo que vejo que iremos encontrar no futuro, de ponto cruz em ponto cruz. E para minha alma, talvez, esse seja o verdadeiro nó górdio. É dele que me vejo obrigado a destrinchar cada instante, quando um ser se mostra em apuros à minha frente, um amigo divide um problema delicado, ou até quando descubro meus próprios elos perdidos, nossos bastardos inglórios, na gíria de Tarantino. Entre o nó ou a dó, escolho a libertação de não ser apenas só. Se você me lê com atenção e consciência, é bem provável que também note como está laçado neste mundo em que vivemos. E como ele parece ter um destino tão mais enroscado se não tomarmos providências claras. Comece já a desatar os nós: evite o sentimentalismo da pena, não busque culpados fora de você, elimine a mágoa, ajude quem está ao seu redor, não julgue e ofereça, ofereça e ofereça; alimento, palavra e compaixão, respectivamente, e além do sentido óbvio do seu significado. Por fim, não espere nada em troca, apesar do que virá.

©Este texto não é protesto, nem objetiva que você se torne um salvador de almas. Se algo lhe tocou, apenas comece olhando quem está com você neste exato minuto. Depois, avance com o mesmo propósito, no tempo que lhe resta nesta vida. Que todos os seres possam se beneficiar.

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