Enquanto ainda há lucidez


O texto era para começar assim… “enquanto o mundo está senil, mostre que ainda há lucidez. Enquanto explode o inglês, seja agente da sensatez. Somos povo criança, aprendemos como se dança, nunca igual aos britânicos ou à França. Passamos períodos de descrença, economia baixa e desavença, mas nunca perdemos a esperança. Isso é de nascença. É tolo não sentir essa presença. Pueril não ter essência.” Mas mudei todo o sentido, do começo até o desfecho. Pois enquanto ainda há lucidez, use a sensatez para dançar uma valsa. Escute a melodia, fuja da fumaça. Brinque de pega e traça. É só estar em estado de graça. Eita coisa boa, fazer rima de coisa tola. Sentir-se um Zé em Pessoa. Alberto, Caeiro, Ricardo, Reis, Álvaro, Campos; qualquer sobrenome ecoa. E enquanto o mundo está senil, viva você a mil, cante dentro de um funil, tinja tudo de anil. Meu Brasil varonil. É de seu semblante que vejo brotar, a chama boa que incendeia, o carinho que clareia, o desejo que tu me queiras. Enquanto explode o inglês, que venha o butanês. Tiremos a timidez, acabemos com a embriaguez. Chegou a nossa vez!

©Imagem: recorte de “Retrato de Jan Švankmajer” em lápis de cor sobre papel. Que todos os seres possam se beneficiar.

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