Cavaleiros da Esperança

Não há o que gere mais confusão do que a esperança. Talvez você se surpreenda. Quem sabe não queira nem ouvir. Mas ainda assim, é desta fé, assumida como uma promessa válida e permanente, que confiamos nossos sonhos, desejos, recusas e delírios. Cercamos nossos estados emocionais com muros gigantes, fortalecemos nossos terrenos com plantações de frutos mentais e depois de tanto vedarmos as fronteiras numa busca por um sentimento de segurança, nos vemos sós e infelizes. Construímos estes reinos de sofrimento com muito suor e determinação e, logo que está pronto, subimos na torre de pedra mais alta buscando no olhar ao longe encontrar quem ali conosco queira habitar. E inventamos lunetas para encontrarmos outros reinos, outras torres e outros seres que, murados e seguros, mas também solitários em seus reinados, nos clamam por atenção, amor e carinho. Brota assim o coração esperançoso, ansioso por abandonar o próprio construto para adentrar a solidão alheia. Esquecemos, porém, que são necessários tempo e esforço para a desconstrução das muralhas. E assim, subimos e descemos freneticamente as escadarias, por horas gritando à distância que estamos de partida, por outras sentados em devaneio nos calabouços da própria fortaleza erguida. Mas se o outro perde o vigor e some-nos da visão, mantemos a esperança em riste e voltamos nosso olhar para novos horizontes em busca de mais alguém que sabia como nos encontrar, preenchendo o espaço da terra que nos aprisiona. Ou muitas vezes achamos descobrir a solução e, ainda sem desvendar a própria libertação, brandimos orgulhosamente alguns planos mirabolantes como que fosse possível ao outro, ouvindo nossa magia escaldante, escapar da sua amarga armadura, alcançando-nos em nossas vidas vazias. Queremos ter ou ser cavaleiros da esperança. E esta ideologia confiante nos gera confusão porque nos torna dependentes. Entretanto, a independência não é sinal de arrogância; mas sim de humildade de começar a trabalhar com esmero na remoção de barreiras e obstáculos que nos impedem de andar livremente pelos campos. Nisto ainda deve restar uma esperança.

©Possam todos os seres se beneficiar.

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2 thoughts on “Cavaleiros da Esperança

  1. Você está num nível acima, cavaleiro. Vc já é um Sir, Jedi Mestre.
    Mentes como a sua faz com que eu renove minhas esperanças; esperança inclusive de diminuir a confusão.
    E, se não há sentido no que digo, “é preciso acender pelo menos uma pequena fagulha” para retomar o rumo.
    Afinal de contas, “nuca perdemos a esperança”, pois “isso é de nascença”.
    Dúvidas são Dádivas.

    1. Amigo, sou apenas um prisioneiro também; não há dúvidas quanto a isto. E saiba, há muita responsabilidade sua neste texto! =D Agradeço sua amizade e sabedoria… que possamos ajudar muitos seres na descontrução do sofrimento. Abração!

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