Inóspito

Parei por aqui ao acaso, motivado por uma mensagem de dúvida.

Respondi de imediato a pergunta, e sem perceber já escrevia.

Senti uma tremenda vontade, de dizer a você o que penso.

Mas sei que o que sinto é segredo, para aqueles que nunca se enfrentam.

Se você é daqueles sem medo, que deseja de fato um abrigo;

Diga logo: eu me rendo!

E abra o peito sem mágoas, confessando ao mundo suas tréguas.

Não há léguas a serem percorridas, se o que corre em sua veia for teia.

©Possam todos os seres se beneficiar.

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O maior peso do mundo é a leveza

Quando escrevo para você, escrevo também para mim. Quando penso em mim, penso também em ti. Quando sei que as coisas estão difíceis ou quando vejo uma luz transbordar em felicidade, sei que a ti e a mim ocorrem no mesmo momento. Conectados por uma ligação além das palavras, sei que andamos paralelamente em busca da felicidade, que já cometemos diversos erros em prol da propriedade e realizamos milhares de atos ingênuos em detrimento de pouca moralidade. Mas o que seria apenas crueldade pode ter um princípio de outra verdade. Mentes conectadas, vivências correlacionadas, são certezas e probabilidades que vivem sempre integradas. Sim, digo isso sabendo da nossa “inoperabilidade” perante um mundo amarrado, sisudo e viciado; que não dá espaço à vã “feliz-idade”. Um mundo tão “i”, interligado, inteligente, informado; tão i-mundo. Onde só se discute o poder do intelecto. Um mundo onde as fronteiras a se desafiar são cheias de descobertas e barreiras filosóficas. Um universo rico em conceitos, semântica e análise. Meu mundo é irreverente, irônico e seletivo. Nele, não estão incluídos espécies de pouco conteúdo sem especulação. Pois nesse mundo, especular se confunde com espetacular. Um mundo onde tudo se compra porque tudo está a venda. Um mundo oriundo da incapacidade de criar mecanismos diferentes para os mesmos problemas. Cego ao ponto de não compreender, com sua gigantesca potência intelectual, que toda discriminação é um ato de aniquilamento futuro. Por que há pobreza? Por que há racismo? Por que há feminismo? Por que há sectarismo? Quem tenta responder sabe o peso da solução, porque há ilusão. O mundo busca hoje a sustentabilidade, ou a habilidade de sustentar. Mas sustentar o que? A pobreza? O racismo? O “achismo”? Ganhar habilidade no sustento apenas é insustentável para ativar as transformações inevitáveis que estão por vir. Mutações genéricas são pouco para a novas formações a surgir. Precisamos intervir, inferir e interferir no sistema revendo valores, pesos e medidas. Necessitamos de atitudes decididas. Fica claro porque a “.banda mais bonita da cidade” teve sua música “oração”, desejada ou odiada. Repito, toda discriminação é um ato de aniquilamento futuro. Espero não estar fazendo o mesmo, mas liberando aquilo que pesa na sua consciência. O maior peso do mundo é a leveza.

©Possam todos os seres se beneficiar.

A Sutil Profundidade da Transformação

Não há bichoca mais sortuda do que eu”, pensava o pequeno inseto embriagado de prazer no topo da árvore mais recheada da floresta. Não seria por menos, a macieira na qual vivia era das mais produtivas. Só nos arredores daquele arbusto era possível avistar mais de 7 maçãs vermelhas saborosíssimas. Fato que o seduzia a atravessar horas de galhos revoltos para adentrar mais um fruto proibido a cada quinzena. Além disso, como “um larva” experiente, sabia que uma vez perfurada, a peça manteria a essência adocicada por algum tempo, mas que a ação do vento e a oxidação natural provocariam uma nova caminhada que se repetia eternamente. E de furúnculo em furúnculo, de abscesso em abscesso, o cabeça-de-prego não notava que sua vida era um completo ciclo insustentável. Uma viciosa jornada sem fim, que sempre encerrava no começo de um novo sonho de perfurar a próxima casca. Só estas minhocas passavam pela sua mentalização unicelular e em todo o larval não havia sequer outro motivo de conversa ou transmissão comunicativa. Até que um dia, com tantas alterações climáticas que vivemos, aquele pequeno ser vivenciou uma transformação em sua vida. Era fim de tarde e o sol se punha na direção contrária da sua localização. O breu parcial era esperado, mas o que ocorreu foi algo sem precedentes. Um tornado surgiu do horizonte com tamanha violência que milhares de folhas e frutas foram arrancadas de suas copas. E junto com elas, milhares de insetos também tombaram suas vidas num estalo. Justamente o que não aconteceu com nosso inseto herói. Sem motivo aparente, a fruta onde era hospedeiro fez também um movimento íngreme durante a turbulência, mas permaneceu conectada por seu caule mais grosso do que o restante. Um caso clássico darwiniano, que seleciona naturalmente o destino das espécies e, neste caso, do balangandã que resistiu bravamente. Mas apesar do estardalhaço a quase ameba andante não se deu conta do ocorrido e permaneceu ali, como se nada houvesse acontecido, pelos dias habitualmente transcorridos. Na manhã que acordou faminta, lentamente recolheu suas patas e saiu sem uma mordida sequer na carnosa alaranjada, partindo pela penca em busca de outro alvo. Levantou a cabeça esverdeada e notou a diferença. Uma imagem tenebrosa de funículos esgarçados, trilhas desnudas e ausência total de tons quentes, que eram o sinal típico de comida no caminho. Sua visão entrou em colapso; “onde está ‘tudo’?”. Pense você, em se encontrar na mesma situação possuindo uma capacidade bizonha de reflexão. Como reagir? Como resolver o complexo problema que aflige qualquer ser que se depara com a ignorância e o instinto de preservação? Olhou para trás com desdém, por mais que o futuro fosse incerto não acreditava ser uma boa decisão voltar para o habitáculo, literalmente passado. Se por toda a vida havia sempre uma dentada por vir, não seria hoje que iria amargar a podridão. E assim, decidiu com valentia seguir em frente pela estrada mais dura e magicamente sombria que iria atravessar. Andava vagarosamente, empunhando do rosto um ar de orgulho… “a próxima maça está perto…”, tranquilizava-se inconscientemente sem notar que iniciava uma descida oblíqua em direção ao solo pelo tronco principal. Assim foi, ou melhor, foram precisos 2 dias de caminhada, com algumas paradas duvidosas no percurso, para que encontrasse definitivamente o terreno cheio de folhas secas. A verdade é que seu instinto o levou para a base do problema, lugar onde ainda era possível encontrar algum sulco entre as raízes. E foi ali mesmo que abocanhou uma raigota suculenta (naquela situação, qualquer coisa era suculenta), que apesar de não ser macia como as antigas refeições, ainda fez brotar um leve jarro de seiva doce. A sensação de vigor foi imediata e o bichinho ficou tão eufórico que começou a perfurar terra abaixo em busca do ouro. Acontece que não sei se este tipo de espectro respira soterrado, mas o nosso amiguinho se transformou numa destemida máquina de escavação microscópica digna dos cartoons. Como se sabe, quanto mais fundo de uma raizada, mais ramificada e cheia de nutrientes ela se torna e, portanto, mais complexa e ao mesmo tempo cheia de “vida” a devemos considerar. O certo é que lá se foi o larva, mergulhando em sua jornada, ravinhando até o ponto mais longínquo da superfície. Parou, olhou para trás, voltou-se novamente para a o centro da mãe terra e num ato de simpless fé seguiu em frente, até dissolver seu corpo em completa profusão. E retirando rápido… rrrr: de larva virou lava, e só.

©Fixar pra quê?! Eliminando a raiz do problema dissolve-se na imensidão da tranquilidade. Que todos os seres possam se beneficiar.

 

Da Brecha à Flecha

Uma brecha na rocha. Um tempo que se esgota. Um lugar de passagem. Uma chance de olhar para fora. Um espasmo que se forma. Uma brisa no seu rosto.  Um sorriso da criança. Uma canção que te toca. Uma resposta sincera. Um momento todo raro. Uma luz que se bate. Um amigo que te pede. Um jogo sem time. Uma união inteira. Uma palavra proferida. Uma terra prometida. Um útero desejado. Uma mãe que já sabia. Um amor absoluto. Um ideal que se aproxima. Uma luta do bravo. Um caminho que se trilha. Uma clareza destemida. Uma fecha que se mira.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

Pegadas ao Vento

Tagarelo digitos com veemência. Fofoco sozinho, conto anedotas, critico medidas, julgo sem saber. Estabeleço metas, faço contas, projeto o futuro, releio o passado. Mas ao sentir o presente como dádiva, paro de teclar. A gente demora um tempo a descobrir; não precisamos deixar marcas. Anos se foram na tentativa de construir idéias, de defender ideais. Tolamente, ao vento dizíamos; porque as palavras que jorraram, na cabeça já não cabiam. Ao mesmo tempo fui; faxineiro e escritor. E limpando a mente de conceitos, deixo agora a casa vazia, para receber apenas o amor.

©Sem a obrigação de estar, nem ser; caminho só pelas palavras, como quem escreve sem destino.

A resposta do Sábio

Enquanto esperava a patrulha policial passou por mim um homem. Andarilho de profissão, nem notou a minha presença sentado na encruzilhada. Confiante na força do universo, chamei-o com rapidez: “Senhor, por favor, gostaria de pedir uma opinião”. Para minha surpresa ele não se espantou. Apenas parou na minha frente e acenou com a cabeça, enquanto continuei com a questão. “Estava vindo por essa estrada, muito bela por sinal, e vi esse caminho que me deixou intrigado. Porém, desde a hora que parei, até agora, não sei qual dos dois caminhos seguir. Você conhece essa pequena trilha? Sabe onde vai dar?”. Serenamente, ele fitou meus olhos com precisão e disse: “Não, nunca trilhei esse caminho. Mas posso lhe dizer onde dará. Se por esta grande via, de riqueza e alegria, irás encontrar o que sempre experimentou na vida, pela estreita também encontrarás o mesmo. Lá não há asfalto no chão, mas ainda há chão. Não tem palácios astronômicos, mas há o abrigo que o protegerá do sol e da chuva. Não há banquetes, mas há frutos até mais saborosos, pois os vai encontrar ainda puros, no pé”. Terminou e ameaçou partir, mas o impedi novamente com outra dúvida: “Sim, entendo, mas acho que ainda não tenho uma resposta clara. Tudo isso é verdade, porém…”. Desta vez foi ele quem interferiu na minha fala, de forma abrupta, confesso. E, mais claro do que nunca exclamou: “Tudo isso NÃO é verdade! O que busca, tanto num caminho, como no outro, não poderá ser alcançado. Porque os dois são ilusórios.”

©Este post é uma sequencia do anterior. Agradeço ao universo por trazer a minha mente-coração as respostas que elucidam o caminho. E desejo que elas possam iluminar o caminho de todos os seres.

Você tem a resposta?

Na velocidade da vida vejo uma grande via se tornar mais rica do que nunca. Noto a distância palácios suntuosos feitos de ouro puro. Pomares com lindos frutos que devem possuir um néctar de especial sabor. Vejo celebridades e famosos acenando, brilho e festividade. Na estrada que caminho, o cenário a frente parece belo e cheio de alegria e diversão. Discretamente, entre arbustos escondidos, percebo uma pequena trilha de terra que parece levar a um lugar desconhecido. Não há nada que chame a atenção, apenas uma voz interior intuindo para parar. Então, confio e paro. Me deparo em uma encruzilhada mental. Lembro de pessoas queridas que me esperam, olho novamente para o caminho escondido. Não sei o que fazer. Sinto-me inerte. A brisa que sopra pela via estreita refresca o meu rosto, mas volto a mirar o horizonte que está ali, tão prazeiroso. Tão perfeito, tão real. Decido sentar no acostamento. Centenas de veículos passam. Os mais generosos oferecem carona, mas não é esse o dilema. Recuso com um sorriso confuso. Se pelo menos as pessoas que amam já estivessem aqui. Eles só vão sair mais tarde, talvez outro dia, não posso esperar. Decido confiar na sabedoria do universo e começo a perguntar a quem passa novamente pela grande via. O primeiro, me diz que devo esperar a polícia rodoviária. Eles são os responsáveis pela travessia, ressalta com certeza, e certamente terão a resposta. Aparece o segundo, um pouco apressado. Ele diz que o caminho é muito escondido, não deve levar a nenhum lugar. Chega o terceiro. Esse é mais curioso. Dá três passos sujando o pé de lama e volta deixando mais uma vez a dúvida no ar. Com o passar do tempo, como tudo que acontece na vida, me sinto mais tranqüilo. Observar a diversidade de atitudes me faz recordar uma música dos Titãs; “ninguém sabe nada”. Olho mais uma vez para a estradinha e descubro uma mensagem escrita em uma árvore. “Proibido a passagem de pessoas não autorizadas”. Sinto um arrepio, o interesse aumenta. De certa forma, a dúvida acaba. Quero saber o motivo da proibição. Decido, então, esperar a patrulha passar para conversar e entender os motivos. Amanhã trago a conclusão que for possível chegar e, provavelmente, novas considerações. Se você tiver alguma resposta, comente até amanhã. Isso aqui é pulsante e altamente vivo, quem sabe outra mente tem a explicação.

 ©Que outro ser possa me beneficiar para que possa beneficiar todos os outros.