Extra

estrelas

Uma extraordinária, antes do final de 2008. Em 1983, dez anos após o momentum de criação, Gilberto Gil gravou “Extra”. Uma canção que extrapola o sentido comum de música. Uma oração pura, extrato de sensibilidade, como o próprio autor. Perfeito para você extravasar as impurezas do ano velho e entrar em 2009 sem extremismos, com extravagância e extraindo mais de cada extremo da vida. Leia a seguir e escute a belíssima versão com o grupo Cidade Negra: “Baixa, Santo Salvador. Baixa, seja como for. Acha, nossa direção. Flecha, nosso coração. Puxa, pelo nosso amor. Racha, os muros da prisão. Extra, resta uma ilusão. Extra, abra-se cadabra-se a prisão. Baixa, Cristo ou Oxalá. Baixa, santo ou orixá. Rocha, chuva, laser, gás. Bicho, planta, tanto faz. Brecha, faça-se abrir. Deixa, nossa dor fugir. Extra, entra por favor. Extra, abra-se cadabra-se o temor. Eu, tu e todos no mundo, no fundo, tememos por nosso futuro. ET e todos os santos, valei-nos, livrai-nos, desse tempo escuro.” Ano Novo Extra para você.

©Para ouvir antes da extrema-unção. Gilberto Gil, Extra, 1983. Que todos os seres possam se beneficiar.

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Neologil

gil1

Não dá pra ser menos que hábil, de métrica fértil, para apenas tocar a sua genialidade. Tátil, dócil e gentil, são quesitos impróprios. Volátil e febril. Vibrátil e, por que não, corpanzil. Ao mesmo tempo infanto-senior-juvenil. Não, Senhoril. O certo é que te ouvi no vinil. Li seu pensar no peitoril. E você sempre me sorriu. Do retrátil ao versátil, meninil. Mas a voz, nunca, nunca pueril. Já foi erétil, varonil. E sempre, do mundo sutil. Graças a Deus, tive a chance de beber teu cantil. Cacei a palavra como um réptil vil, em busca da presa, um inseto, uma letra servil. As vezes fiquei senil. Outras, tomei acetil. De difícil, me vi num canil. E num ato ágil, de puro benzil, voltei a te ouvir, frágil, simples e civil. Obrigado mestre do Brasil, por apenas ser Gil.

®Homenagem muito desejada a Gilberto Gil.

®Foto: Johnny, grande amigo.