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Amar

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Mente

©Primeiro publiquei no Facebook, mas se esvaziou por completo em alguns shares. Aqui preserva-se mais, inclusive da leitura (risos)! Que todos os seres possam se beneficiar!

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Silêncio

As redes sociais mataram esse blog. Ou melhor, mataram meu apetite por escrever no blog. Você entra lá e nada mais precisa ser dito. Tá todo mundo dizendo alguma coisa sobre tudo e outros tantos replicam ferozmente sobre outros tantras. Dessa forma, então, iniciei lentamente meu processo de silêncio, de voz desativa. No próximo dia 25 fará um ano que não respondi ao comentário da Jess: “ricardo, curto mt a banda o rappa e concordo demais com seu jeito de pensar… volta a ativa aí, brother! paz!”. O convite foi inspirador, mas só agora deu aquela vontade de dizer algo em resposta. Certa vez afirmei em algum post por aqui, que o que escrevia seria para ser lido em algum momento, por alguém, no seu “tempo”. Hoje, continua esse o sentido, mesmo que nem aconteça. Blogs serão dinossauros, tesouros enterrados nas profundezas do digital e pode ser que este texto não tenha nunca um leitor. Não importa. O que tenho para registrar não precisa de mídia. Nem precisa ser apreciado ou comentado. É apenas um esboço de uma verdade não revelada para a maioria dos seres. E mesmo sendo assim, tão precioso, não há tantos leitores no mundo que o queiram ler ou saber. Ah, quer saber?! Acho que prefiro novamente o silêncio. Sim, o silêncio. Porque ele é o único capaz de responder a essa verdade que se opõe a frenética-atitude-obsessiva-de-ser-digitalmente-social-a-todo-instante. Um dia o mundo virtual será mais onipresente e real do que a presença física. Nessa época, talvez não exista mais o silêncio que este blog nos traz. E quem sabe, então, venha surgir o motivo pra esse texto existir.

©Possam todos os seres se beneficiar.

O maior peso do mundo é a leveza

Quando escrevo para você, escrevo também para mim. Quando penso em mim, penso também em ti. Quando sei que as coisas estão difíceis ou quando vejo uma luz transbordar em felicidade, sei que a ti e a mim ocorrem no mesmo momento. Conectados por uma ligação além das palavras, sei que andamos paralelamente em busca da felicidade, que já cometemos diversos erros em prol da propriedade e realizamos milhares de atos ingênuos em detrimento de pouca moralidade. Mas o que seria apenas crueldade pode ter um princípio de outra verdade. Mentes conectadas, vivências correlacionadas, são certezas e probabilidades que vivem sempre integradas. Sim, digo isso sabendo da nossa “inoperabilidade” perante um mundo amarrado, sisudo e viciado; que não dá espaço à vã “feliz-idade”. Um mundo tão “i”, interligado, inteligente, informado; tão i-mundo. Onde só se discute o poder do intelecto. Um mundo onde as fronteiras a se desafiar são cheias de descobertas e barreiras filosóficas. Um universo rico em conceitos, semântica e análise. Meu mundo é irreverente, irônico e seletivo. Nele, não estão incluídos espécies de pouco conteúdo sem especulação. Pois nesse mundo, especular se confunde com espetacular. Um mundo onde tudo se compra porque tudo está a venda. Um mundo oriundo da incapacidade de criar mecanismos diferentes para os mesmos problemas. Cego ao ponto de não compreender, com sua gigantesca potência intelectual, que toda discriminação é um ato de aniquilamento futuro. Por que há pobreza? Por que há racismo? Por que há feminismo? Por que há sectarismo? Quem tenta responder sabe o peso da solução, porque há ilusão. O mundo busca hoje a sustentabilidade, ou a habilidade de sustentar. Mas sustentar o que? A pobreza? O racismo? O “achismo”? Ganhar habilidade no sustento apenas é insustentável para ativar as transformações inevitáveis que estão por vir. Mutações genéricas são pouco para a novas formações a surgir. Precisamos intervir, inferir e interferir no sistema revendo valores, pesos e medidas. Necessitamos de atitudes decididas. Fica claro porque a “.banda mais bonita da cidade” teve sua música “oração”, desejada ou odiada. Repito, toda discriminação é um ato de aniquilamento futuro. Espero não estar fazendo o mesmo, mas liberando aquilo que pesa na sua consciência. O maior peso do mundo é a leveza.

©Possam todos os seres se beneficiar.

Caixa Ó DIGO!

Imagine que sua mente é uma caixa. Imagine que ela produz tudo o que você vê, fala e pensa. Imagine que ela não só cria, como registra tudo. E, portanto, tudo o que você vê, fala e pensa pode ser, ao mesmo tempo, algo que a caixa produz ou algo que já foi produzido em outro momento e está registrado. Mas, imagine; você não sabe a diferença entre o que é criado agora e o que está registrado. Imagine, apenas imagine. Quando for para pensar, direi para fazê-lo. Agora, imagine que um dia você levanta da cama e percebe que você nunca imaginou isso, que a sua mente é uma caixa que vê, fala e pensa tudo o que ela mesma produz e memoriza. Então, imagine que você se olha no espelho e vê sua imagem refletida. Anestesiado, ainda pelo sono, imagine que você se pergunta: de onde é produzido o que estou vendo? Imagine que você já fez isso, de olhar para o espelho, milhões de vezes, mas nunca imaginou essa possibilidade. Claro, você lava o rosto e sente a água gelada, escova os dentes e sente um frescor, penteia o cabelo e sente a massagem na sua cabeça. Três atos para se esquecer de imaginar tudo isso. Mas, milagrosamente, imagine que você não se esquece dessa ideia. Imagine que você anda pelas ruas olhando tudo ao seu redor e imaginando que sua mente é uma caixa e dentro dela tudo isso está sendo produzido ou reproduzido. Aqui, então, você vê uma pista. Ué, se a mente é uma caixa que pode produzir ou reproduzir, e se esta rua eu já vi outras vezes; portanto, isso tudo que vejo é uma reprodução! Mas ao mesmo tempo, se essas pessoas não eram as mesmas de ontem, então é uma produção?! Imagine, rápido, que você não precisa pensar a respeito, apenas imagine e continue andando. Então você chega num lugar conhecido. Pode ser sua escola ou trabalho. E você olha novamente para todos e imagina que tudo é produzido ou reproduzido na sua mente, que é uma caixa. Você diz bom dia para todos e imagina: puxa isso já está criado e estou apenas reproduzindo. Novamente imagina quantas vezes você já fez a mesma coisa. Sente até um pouco de tédio. Passa na sua frente uma pessoa que você tem uma atração. Na hora, você se imagina perguntando: será que essa atração e essa pessoa estão juntas na mesma caixa? Você não sabe a resposta, mas precisa continuar em frente sem nenhum raciocínio lógico, apenas imaginando sua mente como uma caixa. Imaginar assim, o tempo todo, deve estar deixando você cansado. Nenhuma análise, nenhuma resposta. Mas esse é o desafio, e você prossegue imaginando tudo como uma caixa. Humm, hora do almoço, que fome! Coloca a comida no prato, o talher na boca, sente o cheiro e o gosto maravilhoso daquele espaguetti ao molho sugo. E quando engole, imagina que ele está na sua mente, na sua caixa. Imagina que o sabor e o aroma são produzidos aí dentro. Decide, assim, que vai imaginar que é uma feijoada, depois um bife acebolado, um brócolis cozido, uma sopa, etc. Finaliza, imaginando uma torta doce de limão. Delícia, pode imaginar o que quiser, é uma caixa que produz e reproduz tudo! Passa o dia feliz, percebendo que pode imaginar o que quiser. Uma pessoa desagradável fala algo que você não gosta. Imagina reagir, mas decide imaginar algo como uma ópera, ou um grito de liberdade, ou uma língua diferente. Isso, você imagina russo. себе радость, lê-se “cibe radast”. Uhu, doidera. Agora, enquanto a pessoa continua falando, você imagina φανταστεί κανείς την ευτυχία, e escuta “fandasti cainisti nefstisia”. Nada se cria, tudo se copia do Google Translator – é grego, viu?! Brincando de imaginar, seu dia se torna mais divertido. Imagina sorvete ao invés da sopa no jantar. Imagina romance quando vê as tragédias no jornal da noite. Imagina felicidade quando lembra do mendigo que viu na rua e você nem quis imaginar como seria sua vida na mesma condição. Chega a hora de dormir. Se você imagina o céu, certamente faz sua oração imaginando uma entidade divina perto de você. Se não, geralmente imagina que divino será o café da manhã no dia seguinte. E na hora de fechar os olhos, imaginando que não precisa mais imaginar nada; recobra a atenção levantando rapidamente o dorso da cama! É óbvio, durante o sono, a sua mente que você imaginou como uma caixa, produz e reproduz tudo o que se pode imaginar enquanto você sonha?! Será isso uma maldição?! Quem fez isso comigo?! Chega, quero parar de imaginar! Como quem eu falo a respeito? Principalmente, quando imagino claramente que tudo o que vejo, falo ou penso é produzido ou reproduzido na minha mente, na minha caixa?! Calma, não vamos produzir ou reproduzir desespero, por favor! Alguma coisa, produzida ou reproduzida dentro dessa caixa deve ter uma auto-resposta (recuso-me a usar a nova regra ortográfica na minha caixa). Bom, preciso mexer cá dentro e encontrar em algum lugar a auto-solução. Mas tô cansado, será que durmo agora e vejo isso amanhã? Ou será que procuro aqui mesmo, com a cabeça deitada no travesseiro e imaginando tudo o que posso encontrar? Peraí, pelo volume de coisa que tem guardada aqui, posso demorar milênios até encontrar essa auto-resposta. Meu Deus, o que faço?! Deus? Tá aqui dentro ou tá fora? Paradoxo complexo… Jesus, me ilumine! Que vontade de pensar a respeito, ai, ai… ok, vamos continuar imaginando. Posso dormir, imaginando que tudo isso foi um sonho! Grande mentira, afinal estou imaginando bem agora. Puxa, o que faço?! Respire fundo dentro dessa caixa, a torácica, vale ressaltar. Vamos, então, fazer um esforço de pensar, mesmo que esteja imaginando, produzindo ou reproduzindo. Se a sua mente é uma caixa, toda caixa tem uma abertura. Bingo! E geralmente, tem um cadeado que a fecha. Ops, então tem como sair da caixa! O que preciso é apenas uma chave. Peraí, de novo… quando imaginei tudo o que vi, tudo o que senti, tudo o que provei, aquele russo falando, aquilo grego, aquelas línguas… shazam, tudo isso é um código!

©É por isso que chamamos nossa mente de caixola. Se você tem o código que abre a caixa, talvez possa nos contar, afinal seu código também está na minha caixa e vice-versa. Que todas as caixas possam se beneficiar!

De Compor

Tornar-se líquido, incolor.

Depositar o medo e a dor.

Deitar-se com fé e fervor.

Vamos todos decompor.

Das ruínas erguem-se as mudanças.

Das calamidades, restam-se as lembranças.

Do último ser, brotam-se as esperanças.

Um dia voltamos como crianças.

Antes de compor, somos só pó inodor.

Antes do pôr, tudo está no breu gerador.

Antes do ser, tu és apenas sonhador.

Vamos todos recompor.

Cidades inteiras vão desaparecer.

A internet é feita para não ceder.

Na hora h é preciso saber,

Só a realidade básica, devemos reconhecer.

Haverá um dia transformador,

Um instante mágico, se assim for,

Único, pleno e indolor,

Célebre é aquele sem temor.

Falo sem trauma, nem rancor,

Com pena do outro que se for,

Ouvindo com olhos de pavor,

O que é seguro de supor.

Mas não acredite que fácil esse solo,

Nem suponha ingênuo, que és tolo,

É chegada a hora de escolher do bolo,

O sabor que levarás em teu colo.

Antes de decompor até a morte,

Conte com a vida e com a sorte,

Encontre paz e uma digna consorte,

E celebre a compaixão pura, firme e forte.

©Possam todos os seres se beneficiar.

Filhos Instantâneos

Mentalidade fértil. Se fosse definir os últimos meses em poucos palavras, seria assim que certamente o faria. Turbilhão e súbito nunca foram tão vívidos parceiros quanto agora, principalmente aos olhos investigativos que procuro manter abertos. E nesta missão sem anseios, é patente notar a riqueza mal distribuída que fazemos do pensar. Acumulamos de tudo, sem nada notar. Nossos pensamentos são como breves filhos, surgindo um na sequência do outro, que carregamos no seio da mente por prazos indeterminados. Alguns subsistem por milésimos de segundos, outros por segundos inteiros. Os menos fulgazes, por uma porção de minutos e os mais enraizados, aqueles que nascem com a cara do pai, podem permanecer ao nosso lado um tanto de horas, dias, meses ou vidas inteiras. É triste quando esses descendentes são mágoas ou rancores, e é divino quando são sublimes estados de prazer e ternura. Mas certamente nunca deixarão de ser dissolutos. O que isto nos revela, entretanto, é mais desafiador ainda. Pois se vemos nascer essa legião de proles no nosso espaço mental, isso significa compreender que “eles” foram concebidos em algum instante prévio também. E mais intrigante será concluir que; como praticamente nunca deixamos de vê-los nascer, consequentemente nunca os deixamos de fecundar e germinar num suposto óvulo mental. Em uma reflexão mais direta, filhos e sêmens da mente são a mesma coisa, são semente e fruto que experimentamos sem tempo a perceber. Como a confecção deste texto e a leitura posterior, este instante, por si só, é criativo. Mas nós só poderemos percebê-lo em completude quando provocarmos a consciência de nossa eterna criação. E estando neste dia longe do dia-a-dia de criar, produzir, realizar e experimentar as tarefas como mera execução, vogo a que possamos manter a consciência de que todo o contexto criado, produzido, realizado e experimentado é apenas um instante, dos milhares de “seres” que carregamos ao longo da jornada com mais ou menos atenção. Um momento vale muito e não notamos. Um filho é um momento e nem sempre temos tempo. Um momento é só um filho instantâneo e não percebemos. Pare agora e pelo menos receba em seu colo esse filho por um momento.

©Para todos os seres e em benefício deles, a todo instante!