Logo que vier…

Palavras não me cabem mais, mesmo que o silêncio não me ocupe. Quando a resposta é sabida, não há questão que se faça. Mas saiba, então, que nada sabe. Pois saber alguma coisa no tudo que não visto é sentir sabor naquilo que não se prova. O que tem gosto, passa. O que textura, desgasta. E o que tem cheiro, evapora… logo que o próximo clique vier…

©Possam todos os seres se beneficiar.

Tempos Difíceis

Não é preciso dizer nada além, mas se a tentativa de diminuir o sofrimento e levar algum alento é possível, porque não tentar deixar mais fácil ou, quem sabe, mais simples a maneira que lidamos com tempos assim? Tempos difíceis são momentos que vemos as pessoas atarefadas demais para prestar atenção em coisas boas. São épocas em que os desastres acontecem, as coisas quebram, os malogros ocorrem e as maldades subterfogem ao controle da mente. Ficamos mais nervosos. Temos mais pena de nós mesmos. Vemos a dor alheia agradecendo por sê-la deste jeito. Uma vez um amigo “brincou” com outro, que havia acabado de receber uma notícia penosa… “poderia ser pior…”, completando com ironia… “poderia ser comigo!”. Em tempos árduos assim, repousamos nosso olhar para o que achamos justo. Preciso melhorar minha vida. Quero mais do meu emprego. Mereço toda a atenção do mundo, afinal me dedico tanto aos outros que é hora de olhar para o umbigo. Em tempos difíceis, logo após enchentes que destroem cidades, há uma enxurrada de saques, roubos e violência. Em tempos assim, ninguém quer perder o lugar na fila do trânsito, pois já teve que desviar mais de 20 buracos no asfalto. Maldito governo! Em tempos difíceis a coisa mais fácil a fazer é reclamar que tudo está difícil. E nem precisa pensar muito, porque está difícil também. Mas é porque está difícil que é preciso fazê-lo. Sem pensar ou avaliar a loucura que nos rodeia não conseguimos sair dela e cada vez se torna mais difícil. Ah como é bom entender, ou melhor, compreender isso de uma vez por todas. Em tempos difíceis o que precisamos é apenas facilitar as coisas para quem não entendeu como se pula fora dessa roda maluca. É momento de facilitar o troco, de dar espaço para quem corre, de ouvir com paciência quem grita, de abrir as reservas para quem tem fome, de oferecer amor para quem briga, de tolerar escândalos daquilo que é vulgar, de rezar para quem explora, de acolher que tem ódio; enfim, de olhar com ternura para quem acha que está tudo muito difícil. Amigos do Brasil, de Portugal, do Japão, da Espanha, da Inglaterra e até de Marte estão vivendo fases difíceis. Se você também está e, por motivos inexplicáveis, acabou por ler este texto, faça valer o princípio de que em tempos difíceis é você quem pode facilitar tudo. E mude o rumo da história.

©Foi difícil escrever este texto, mas espero que ele possa deixar o seu dia-a-dia pelo menos um pouco mais feliz. Que todos os seres possam se beneficiar.

Ciência da Paz

Faz um mês que não escrevo no blog. Por um lado, não tive tempo de sentar calmamente e contar a vocês todas as grandes experiências que tenho vivenciado. Por outro, não importa tanto o tempo que demoramos para expressar verbalmente nossos bons pensamentos. Quando estamos embuídos em desenvolver a nossa mente para favorecer os todos os seres, a vida tolera qualquer tipo de suposto atraso. No fundo, ela até conspira a favor, fortalecendo as ideias e formando uma situação benéfica que eclode posteriormente com muito mais força. Permito-me dizer que este é o verdadeiro resultado da paciência. Da ciência que temos em aguardar em paz a chegada de um instante. A mente respira. Toma fôlego. E transforma-se lentamente em realização. Promova a ciência da paz dentro de si.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

Conto da Linha

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Ultrapassar o limite era tudo o que precisava para alcançar seu sonho. Com os pés cravados em frente àquela linha amarela, não havia um milésimo do relógio que não era atentamente acompanhado pelo sujeito. Esperava o sinal derradeiro para se lançar sem nada pensar. Sentia o corpo pulsar, o coração estava acelerado. Os pulmões ofegantes. O estomago fritava. Os impulsos eram fortes, mas não se comparava ao temor que batia em sua caixola. Será que ele ouviria o sinal de partida? Sim, havia um luminoso bem a sua frente, em tom vermelho encarnado. Mas e se alguém fosse o mais rápido? Não podia mentalizar essa dúvida estúpida, não agora. Ele não devia nem imaginar que isso podia acontecer! Mas a insegurança batia em seu peito, forte, feito criança. “Pára de pensar nisso! O sonho é mais importante. Só o sonho vale a pena…”, dialogava consigo próprio, aquele “ateurrorizado” ser. É triste ver como a mente absorve o intelecto do ser humano. Não há razões que superem os entraves psicológicos. Sigmund Freud, Carl Jung, Jacques Lacan, Mark Solmes e até a dupla sertaneja Cascatinha & Inhana estão certos. É na mais tenra idade que formamos as relações com o mundo que irão nos acompanhar para sempre. E nos momentos que desejamos ardorosamente alguma coisa, essa memória traumática é agitada como champagnhe barata de réveillon na praia; quente, que estoura pra cacete e faz espuma além da conta. Claro, não vamos dizer que doutrina do sangue frio é a solução dos nossos problemas. Mas olhar a vida com tensão também não dá tesão. O lance é que o purgante cenário era fato. Ele estava ali, sua cabeça era daquele jeito e não podia afrouxar um segundo sequer para conquistar seu objetivo. Então, após uma piscada de olho em câmera lenta, raios de luz emitiram o sinal esperado. Pééé… Sua reação foi imediata. Como um cavalo que salta buscando a pole do derbi, jogou seus músculos num movimento brusco alcançando o destino ferozmente e gritou alto, desembuchando todo sofrimento que havia guardado nos instantes fatídicos: “Me dá um sonho de creme?!”. Nem reparou na velhota atrás de si, que pegou a carteira com imagem do Batman exclamando… “Ôh, garoto, acorda!

©Inspirado no site da Mojo Books, onde você “mojifica” músicas com histórias que você imagina. Este conto foi soprado pela música “In the waiting line”, do grupo inglês Zero 7. Precisamos saber esperar na linha, pois a vida não tem o destino que imaginamos. Que todos os seres possam se beneficiar.

Pacientemente

Opressão, dor, sofrimento, ilusão, cegueira, inveja, ódio, incerteza, medo, covardia, pessimismo, fraqueza, expurgo, toxina, vício, crônico, degeneração, estupidez, agressividade, xingamento, raiva, ignorância, impertinência, arrogância, egoísmo, individualidade, perversão, violência, incredulidade, inoperância, mesmice, marasmo, monotonia, secura, avidez, frieza, calafrio, ojeriza, repulsa, antipatia, rancor, fúria. São produtos, todas elas, do intelecto impaciente. Analise com paciência e verá, são doenças, pacientes da mente. 

®Que todos os seres possam se observar.

Semente

Recentemente, recebi ensinamentos preciosos que acho valioso dividir com você, para que também possa plantá-los em seu coração. Mais do que uma pretensão de fazer você refletir, há um desejo verdadeiro de que desta ação brote felicidade na sua vida. O ensinamento é sobre o carma e utiliza a idéia de uma semente para que possamos compreender minimamente o que é esta força da natureza da mente. O carma é como uma semente que só pode germinar o seu próprio fruto. Não há como plantar limão e colher maçã. Da mesma forma que não há como plantar raiva e colher amor. O que colhemos hoje é o que semeamos no passado. E o nosso futuro é fruto do que hoje semeamos. Para fechar, ofereço com carinho um pequeno poema escrito pelos campos da vida.

Semente
É gente
Com nome diferente.

Semente
Só sente
No quente.

Sem mente
A gente
Sente
Tudo ausente.

Semente
Só mente
Se a mente
Da gente
Se sente
Incompetente.

Semente
A gente
Planta no ente.

Semente
É vida
Dormente.

®Escrito para solos férteis. Se o seu não estiver preparado, adube com paciência e amor.

◊Que todos os seres possam se beneficiar.

O espaço entre a guerra e a paz

Acordei cedo, como era de costume na viagem de férias que fazia nos EUA. Abri a porta do quarto do hotel e peguei o jornal USA Today, como já me habituava fazer naqueles dias. Na capa, uma surpresa esperada. A foto do Presidente Bush ao lado do Dalai Lama anunciava a entrega da medalha de honra do congresso americano ao líder Tibetano. Dentro do jornal, muita informação a respeito deste grande evento. A nação mais militar do planeta oferecia um reconhecimento ao maior defensor da paz mundial. Em pauta, além da condecoração, um pedido para que a China pudesse abrir diálogo com os monges budistas tibetanos e sua principal liderança, S. S. o Dalai Lama. A atitude é louvável, o momento discutível. Afinal, a invasão comunista chinesa data de 1951 e o líder do Tibet vive no exílio desde 1959, na Índia. Mas numa época em que a China se torna um dos maiores países em desenvolvimento econômico no mundo, às vesperas de sediar os Jogos Olímpicos de 2008, não é nada estranho uma atitude de embate do império capitalista. A meu ver, ao contrário, revela que tudo tem um preço para o governo americano. Não importa se é uma guerra forjada, como aconteceu com o Iraque para a conquista de petróleo, ou se é uma manobra política em favor da paz, apenas para frear o ímpeto do crescimento chinês. No fim das contas, o que manda na mente de quem controla o mundo é a capacidade de manter tudo sob o seu domínio. E para isso vale investir milhões em grandes aspirações do homem contemporâneo, como a corrida espacial. Além dos 16 bilhões médios anuais, gasto com projetos espaciais, o órgão responsável pela aviação norte-americana – a FAA, Federal Aviation Administration – já prevê a chegada do turismo espacial. Uma nave, a SpaceShipOne da Virgin Galatic (www.virgingalactic.com), espera colocar os primeiros passageiros no espaço em 2009, ao preço de 200 mil dólares por cabeça. Incrível, não? Imagine se todo este dinheiro fosse usado para acabar com a pobreza mundial? Como seria a nossa evolução? Mas não é assim que eles pensam e, para mim, esta gigantesca supremacia é nada mais que ilusão. Pois o verdadeiro espaço a ser conquistado daqui pra frente não é galático nem interplanetário. Não envolve tecnologia de última geração. Não precisa de alto custo financeiro. E não é possível se chegar com naves espaciais. Na verdade, o espaço que a humanidade precisa descobrir já foi conquistado pelo próprio Dalai Lama e os monges budistas que hoje estão em todos os continentes. É um espaço de muita força e luz que consegue distanciar a guerra da paz dentro da nossa mente, colocando o espírito de combate, tão valorizado pela sociedade americana, mais longe do que a terra está do sol. Para desvendar este grande espaço não é preciso dinheiro, não é preciso opressão, não é preciso violência, não é preciso nada que esteja fora de você. Mas é preciso batalhar dentro de si mesmo para conquistar tolerância, paciência e compaixão nas horas mais difíceis e corriqueiras da vida, como as discussões familiares, as brigas no trânsito ou os momentos de tensão e rivalidade no ambiente de trabalho. Infelizmente, muitos líderes mundiais, que aplicam verbas astronômicas na guerra e na descoberta do espaço sideral, não descobriram que a conquista da mente traz mais progresso para os seres humanos. Mas você, que não precisa se preocupar com o controle planetário, pode começar a sua corrida espacial. Controle sua mente com a determinação de um guerreiro e vai conquistar o território mais almejado pelos homens: a paz. 

©Texto publicado no jornal Grande SP em novembro de 2007.

◊Recortes do jornal americano USA Today de outubro de 2007.