Apenas uma condição…

Se você ler este texto sem atenção, sua condição será a mesma no minuto seguinte. Olho para a tela, escolhendo o melhor prólogo para a tragédia. Sim, este enredo tem um fundamento triste, ou ao menos prático, se é possível lhe aplicar uma condição. Porque aqui, ou você percebe de fato o que se diz, ou você é um mero zumbi de palavras, ideias e ensejos. Toda condição é um estado, interminavelmente contínuo, invariavelmente lúdico e pronto para acontecer. Um estado nunca, mas nunca mesmo, é permanente. Líquido é sólido. Sólido é gasoso. Não há pretérito, nem nada a realizar. Tudo apenas é. Pintou uma dúvida condicionada? Então, mostre-me suas condições. Mas sem apontar uma arma de duelo, pois aqui não há dueto possível de experimentar por revés. Se criticas a mim, ou apontas um defeito no que digo, é de ti que nasce a insegurança de criar uma condição para o que apenas possui a qualidade de clareza. Sim, tudo isto é uma situação não decisória, sem escolha passada, nem futura; que só pode ser recriada ou modificada no presente. Por isso, digo, não há condições, há apenas uma condição. E não aceito confusões, por favor. Nem julgamentos, pois eles são os erros que construímos no desejo de condicionar. “Se fizeres isso não te amo mais; se ofereceres mais ao outro, não gostas de mim; se não olhares para meu esforço, vou odiá-lo para sempre; se não me queres, também não lhe valorizo; se, se, sês…”. Quando a condição vem no plural perde sua singularidade de significado. Condição é apenas um modo de estar, um conjunto de situações que se encontram num determinado momento e que não pode ser enganosamente compreendida como uma cláusula, uma restrição. É sem juízo que se descobre o lirismo da existência. Mesmo que o não jugo, necessariamente, tenha que ser aplicado com uma postura ética e moral, tão carente no nosso mundinho moderno. Há apenas uma condição: ser vir.

©Se estiver em casa, é serviço de quarto. Se estiver no escritório, pode chamar simplesmente de mind delivery. Que todos os seres possam se beneficiar.

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Mente Bodhisattva

Não experimentamos o mundo plenamente até estarmos dispostos a dar tudo que temos. Samaya* significa não reservar nada, não preparar uma rota de fuga, não procurar alternativas, não achar que ainda temos muito tempo e que podemos deixar essas coisas para depois.”

®Pema Chödrön, “Quando tudo se desfaz”, 1999.

*Samaya é um vínculo incondicional entre mestre e discípulo.

◊Ensinamento lido e anotado em 01/10/2007. Leia +.