Sem Nada, Dito

Sem nada, dito,
E tudo digo.

No toque sem choque,
No beijo ao olhar,
Tudo se transforma
Sem nada pronunciar.

Nem tudo que pensamos,
A palavra, precisa.

A letra só devia,
Construir a alegria,
Nas mãos da poesia.

©Possam todos os seres se beneficiar.

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Silêncio

As redes sociais mataram esse blog. Ou melhor, mataram meu apetite por escrever no blog. Você entra lá e nada mais precisa ser dito. Tá todo mundo dizendo alguma coisa sobre tudo e outros tantos replicam ferozmente sobre outros tantras. Dessa forma, então, iniciei lentamente meu processo de silêncio, de voz desativa. No próximo dia 25 fará um ano que não respondi ao comentário da Jess: “ricardo, curto mt a banda o rappa e concordo demais com seu jeito de pensar… volta a ativa aí, brother! paz!”. O convite foi inspirador, mas só agora deu aquela vontade de dizer algo em resposta. Certa vez afirmei em algum post por aqui, que o que escrevia seria para ser lido em algum momento, por alguém, no seu “tempo”. Hoje, continua esse o sentido, mesmo que nem aconteça. Blogs serão dinossauros, tesouros enterrados nas profundezas do digital e pode ser que este texto não tenha nunca um leitor. Não importa. O que tenho para registrar não precisa de mídia. Nem precisa ser apreciado ou comentado. É apenas um esboço de uma verdade não revelada para a maioria dos seres. E mesmo sendo assim, tão precioso, não há tantos leitores no mundo que o queiram ler ou saber. Ah, quer saber?! Acho que prefiro novamente o silêncio. Sim, o silêncio. Porque ele é o único capaz de responder a essa verdade que se opõe a frenética-atitude-obsessiva-de-ser-digitalmente-social-a-todo-instante. Um dia o mundo virtual será mais onipresente e real do que a presença física. Nessa época, talvez não exista mais o silêncio que este blog nos traz. E quem sabe, então, venha surgir o motivo pra esse texto existir.

©Possam todos os seres se beneficiar.

Medo do Silêncio

Com medo do silêncio, os homens inventaram veículos de comunicação. E sem saber pilotar isso, os utilizamos, sem notarmos que há silêncio em tudo o que inventamos. Já escrevi, mas repito: escrevemos na esperança de sermos lidos… e dizemos no sonho de sermos ouvidos… e olhamos no desejo de sermos percebidos. Temos medo de tudo que ecoa… eita coisa tola. Ressoante, enfrentamos a dura batalha da vida entre repercussões e cessões… e não renunciamos uma novela, mas afastamos a novena, sem pestanejar. Medo estúpido, credo cupido. Tudo que é vulgar parece perdurar. Ledo engano, de cedo enfadonho. Como é medonho titubear.

©Se causar benefício, que todos os seres possam se beneficiar.

Para quem quiser ouvir

Nos tornamos o tempo que passamos. Se ordinário, ordinário ficamos. Se medíocre, medíocre pensamos. Uma espécie de calabouço construímos e nos aprisionamos a um padrão de estupidez com grilhões que só se rompem com paciência e atenção. A questão não é força de vontade, mas garras de hábitos que são formadas sem intenção qualquer. Apenas a atração pelo conhecido, pela repetição sem motivo é o que surge, do nada. Vencê-la, após vidas de sofrimento e ignorância é uma tarefa árdua que resulta em uma serenidade límpida que não responde nenhuma questão. Mas afaga o desejo insano de dar sentido ao inexplicável. Realizar isto é calar perante a fala inexpressiva. De um território que não é inexplorável.

®Não há registro para o que se cria sem querer algo em troca. Esse texto é “inregistrável”.