O Encontro

Você pode marcar na agenda milhões de compromissos, mas não haverá encontro se o seu coração não soar verdadeiramente. Encontrar-se é como viver um espaço de fantasia e encantamento, de confiança e abertura, aquele tipo de sentimento que brota com sorriso no canto da boca e satisfação no peito. E digo encontrar-se mesmo, porque você pode também selecionar bilhões de seres na face da terra, usar o Facebook para aumentar as chances, mas não haverá nunca algo ou alguém a ser encontrado se não descobrir em si aquilo que deseja encontrar. Mas não há encontro também se, aquele que o encontra também não encontrou a si mesmo. Um encontro é mágico por isso, conecta zilhões de singulares instantes, pequenos encontros, num único sopro de alegria. E gera um estado, um momentum, que nada se difere do impulso, com uma quantidade de movimento, força, ímpeto e pique. Isso tá no dicionário, só faltava estar na vida.

Dedico este post a pessoas mágicas que conheci esta semana e que você também pode descobrir acessando Sônia, Cláudia e David. ©Que todos os seres possam se encontrar assim e gerar benefícios!

Cavaleiros da Esperança

Não há o que gere mais confusão do que a esperança. Talvez você se surpreenda. Quem sabe não queira nem ouvir. Mas ainda assim, é desta fé, assumida como uma promessa válida e permanente, que confiamos nossos sonhos, desejos, recusas e delírios. Cercamos nossos estados emocionais com muros gigantes, fortalecemos nossos terrenos com plantações de frutos mentais e depois de tanto vedarmos as fronteiras numa busca por um sentimento de segurança, nos vemos sós e infelizes. Construímos estes reinos de sofrimento com muito suor e determinação e, logo que está pronto, subimos na torre de pedra mais alta buscando no olhar ao longe encontrar quem ali conosco queira habitar. E inventamos lunetas para encontrarmos outros reinos, outras torres e outros seres que, murados e seguros, mas também solitários em seus reinados, nos clamam por atenção, amor e carinho. Brota assim o coração esperançoso, ansioso por abandonar o próprio construto para adentrar a solidão alheia. Esquecemos, porém, que são necessários tempo e esforço para a desconstrução das muralhas. E assim, subimos e descemos freneticamente as escadarias, por horas gritando à distância que estamos de partida, por outras sentados em devaneio nos calabouços da própria fortaleza erguida. Mas se o outro perde o vigor e some-nos da visão, mantemos a esperança em riste e voltamos nosso olhar para novos horizontes em busca de mais alguém que sabia como nos encontrar, preenchendo o espaço da terra que nos aprisiona. Ou muitas vezes achamos descobrir a solução e, ainda sem desvendar a própria libertação, brandimos orgulhosamente alguns planos mirabolantes como que fosse possível ao outro, ouvindo nossa magia escaldante, escapar da sua amarga armadura, alcançando-nos em nossas vidas vazias. Queremos ter ou ser cavaleiros da esperança. E esta ideologia confiante nos gera confusão porque nos torna dependentes. Entretanto, a independência não é sinal de arrogância; mas sim de humildade de começar a trabalhar com esmero na remoção de barreiras e obstáculos que nos impedem de andar livremente pelos campos. Nisto ainda deve restar uma esperança.

©Possam todos os seres se beneficiar.

Caixa Ó DIGO!

Imagine que sua mente é uma caixa. Imagine que ela produz tudo o que você vê, fala e pensa. Imagine que ela não só cria, como registra tudo. E, portanto, tudo o que você vê, fala e pensa pode ser, ao mesmo tempo, algo que a caixa produz ou algo que já foi produzido em outro momento e está registrado. Mas, imagine; você não sabe a diferença entre o que é criado agora e o que está registrado. Imagine, apenas imagine. Quando for para pensar, direi para fazê-lo. Agora, imagine que um dia você levanta da cama e percebe que você nunca imaginou isso, que a sua mente é uma caixa que vê, fala e pensa tudo o que ela mesma produz e memoriza. Então, imagine que você se olha no espelho e vê sua imagem refletida. Anestesiado, ainda pelo sono, imagine que você se pergunta: de onde é produzido o que estou vendo? Imagine que você já fez isso, de olhar para o espelho, milhões de vezes, mas nunca imaginou essa possibilidade. Claro, você lava o rosto e sente a água gelada, escova os dentes e sente um frescor, penteia o cabelo e sente a massagem na sua cabeça. Três atos para se esquecer de imaginar tudo isso. Mas, milagrosamente, imagine que você não se esquece dessa ideia. Imagine que você anda pelas ruas olhando tudo ao seu redor e imaginando que sua mente é uma caixa e dentro dela tudo isso está sendo produzido ou reproduzido. Aqui, então, você vê uma pista. Ué, se a mente é uma caixa que pode produzir ou reproduzir, e se esta rua eu já vi outras vezes; portanto, isso tudo que vejo é uma reprodução! Mas ao mesmo tempo, se essas pessoas não eram as mesmas de ontem, então é uma produção?! Imagine, rápido, que você não precisa pensar a respeito, apenas imagine e continue andando. Então você chega num lugar conhecido. Pode ser sua escola ou trabalho. E você olha novamente para todos e imagina que tudo é produzido ou reproduzido na sua mente, que é uma caixa. Você diz bom dia para todos e imagina: puxa isso já está criado e estou apenas reproduzindo. Novamente imagina quantas vezes você já fez a mesma coisa. Sente até um pouco de tédio. Passa na sua frente uma pessoa que você tem uma atração. Na hora, você se imagina perguntando: será que essa atração e essa pessoa estão juntas na mesma caixa? Você não sabe a resposta, mas precisa continuar em frente sem nenhum raciocínio lógico, apenas imaginando sua mente como uma caixa. Imaginar assim, o tempo todo, deve estar deixando você cansado. Nenhuma análise, nenhuma resposta. Mas esse é o desafio, e você prossegue imaginando tudo como uma caixa. Humm, hora do almoço, que fome! Coloca a comida no prato, o talher na boca, sente o cheiro e o gosto maravilhoso daquele espaguetti ao molho sugo. E quando engole, imagina que ele está na sua mente, na sua caixa. Imagina que o sabor e o aroma são produzidos aí dentro. Decide, assim, que vai imaginar que é uma feijoada, depois um bife acebolado, um brócolis cozido, uma sopa, etc. Finaliza, imaginando uma torta doce de limão. Delícia, pode imaginar o que quiser, é uma caixa que produz e reproduz tudo! Passa o dia feliz, percebendo que pode imaginar o que quiser. Uma pessoa desagradável fala algo que você não gosta. Imagina reagir, mas decide imaginar algo como uma ópera, ou um grito de liberdade, ou uma língua diferente. Isso, você imagina russo. себе радость, lê-se “cibe radast”. Uhu, doidera. Agora, enquanto a pessoa continua falando, você imagina φανταστεί κανείς την ευτυχία, e escuta “fandasti cainisti nefstisia”. Nada se cria, tudo se copia do Google Translator – é grego, viu?! Brincando de imaginar, seu dia se torna mais divertido. Imagina sorvete ao invés da sopa no jantar. Imagina romance quando vê as tragédias no jornal da noite. Imagina felicidade quando lembra do mendigo que viu na rua e você nem quis imaginar como seria sua vida na mesma condição. Chega a hora de dormir. Se você imagina o céu, certamente faz sua oração imaginando uma entidade divina perto de você. Se não, geralmente imagina que divino será o café da manhã no dia seguinte. E na hora de fechar os olhos, imaginando que não precisa mais imaginar nada; recobra a atenção levantando rapidamente o dorso da cama! É óbvio, durante o sono, a sua mente que você imaginou como uma caixa, produz e reproduz tudo o que se pode imaginar enquanto você sonha?! Será isso uma maldição?! Quem fez isso comigo?! Chega, quero parar de imaginar! Como quem eu falo a respeito? Principalmente, quando imagino claramente que tudo o que vejo, falo ou penso é produzido ou reproduzido na minha mente, na minha caixa?! Calma, não vamos produzir ou reproduzir desespero, por favor! Alguma coisa, produzida ou reproduzida dentro dessa caixa deve ter uma auto-resposta (recuso-me a usar a nova regra ortográfica na minha caixa). Bom, preciso mexer cá dentro e encontrar em algum lugar a auto-solução. Mas tô cansado, será que durmo agora e vejo isso amanhã? Ou será que procuro aqui mesmo, com a cabeça deitada no travesseiro e imaginando tudo o que posso encontrar? Peraí, pelo volume de coisa que tem guardada aqui, posso demorar milênios até encontrar essa auto-resposta. Meu Deus, o que faço?! Deus? Tá aqui dentro ou tá fora? Paradoxo complexo… Jesus, me ilumine! Que vontade de pensar a respeito, ai, ai… ok, vamos continuar imaginando. Posso dormir, imaginando que tudo isso foi um sonho! Grande mentira, afinal estou imaginando bem agora. Puxa, o que faço?! Respire fundo dentro dessa caixa, a torácica, vale ressaltar. Vamos, então, fazer um esforço de pensar, mesmo que esteja imaginando, produzindo ou reproduzindo. Se a sua mente é uma caixa, toda caixa tem uma abertura. Bingo! E geralmente, tem um cadeado que a fecha. Ops, então tem como sair da caixa! O que preciso é apenas uma chave. Peraí, de novo… quando imaginei tudo o que vi, tudo o que senti, tudo o que provei, aquele russo falando, aquilo grego, aquelas línguas… shazam, tudo isso é um código!

©É por isso que chamamos nossa mente de caixola. Se você tem o código que abre a caixa, talvez possa nos contar, afinal seu código também está na minha caixa e vice-versa. Que todas as caixas possam se beneficiar!

Os sonhos que não lembramos

Não sei quanto a você, mas no último dia útil de janeiro de 2010 já não posso garantir que recordo de tudo o que foi pensado, sonhado e desejado como votos de fim de ano. Dizer que o mundo está mais rápido é apenas aplacar uma verdade que está mais dentro do nós do que lá fora. Não recordamos os nossos sonhos porque quando eles acontecem, como agora que escrevo este texto, acreditamos que eles são palpáveis, duráveis e perenes. Não são. A natureza do sonho é sutil, leve e flutuante. Para se tornar duradouro e atravessar décadas, o sonho precisa ser sempre lembrado como uma canção que não sai da cabeça. Nosso investimento primordial deveria ser garantir uma memória mais forte, plena e alerta, que pudesse atravessar nossa mente a cada instante, avaliando a qualidade de todos os pensamentos que brotam. “Isso é bom, quero continuar lembrando. Isso é neutro, não tem porque perder tempo. Isso é ruim, ops, que tal um pouco de atenção para não permitir os sonhos ruins aqui dentro?”. Para alguns, essa mecânica do pensar pode parecer tediosa, enfadonha e sem açúcar. Geralmente, esses são os métodos que adotamos quando não queremos nos abster do desejo. Daquela vontade que é até mais um hábito de consumo do que um insight experimental. Ao colocar em foco um objetivo desejado, nos entregamos aos prazeres sensoriais que ele proporciona e deixamos de lado a lembrança do que foi sonhado como positivo em nossa vida. Ou seja, o sonho sensorial é mais profundo, mais intenso em termos de prazer e de sensibilidade; porém, tão sedutor que nos retira justamente a noção clara de estar dentro dele. É o casulo do embrião, que se forma sem a consciência do que acontece a si mesmo. Ou não é assim que você se sente em relação ao seu nascimento? A teoria aqui, portanto, é clara: não podemos acordar do sonho quando imergimos nele. A entrega aos seus prazeres sensitivos são grilhões da mente inerte e dormente. Do poço retiramos a água, mas nunca a sede. Afinal, quantos sonhos já não recordamos em busca de um simpless copo para beber?

©Este post é uma homenagem a Sra. Leni, mãe de 3 filhos e que vive num casebre construído em cima de uma calçada na periferia da zona sul de São Paulo. Seu sonho hoje é profundo, mas sua vida poderá servir de inspiração para milhares de pessoas ao redor do mundo, se um dia ela despertar. Agradeço por ter me recebido com tanto amor e esperança. Que todos os seres possam se beneficiar.

Quando Acordar

Pai_filho

Sonho em um dia acordar do sonho. Durmo, acordo e continuo sonhando. Os sonhos dos outros, os pesadelos também. Profundos, puros ou imundos, não importa; vejo sonhos. Meu filho, então, pergunta: “pai, o que vamos fazer amanhã, depois de acordar?” Mergulho de novo no sonho. Escovar os dentes? Tomar um café? Brincar com os cães? Lindos sonhos. Miro em seus olhos, sem saber como será o dia em que vamos acordar. E algo forte, nesse lúcido sonho, me desperta. Será que bebemos do sonífero que produzimos ou ficamos hipnotizados pelo sonho alheio?  “Hum, filho, já sei o que vamos sonhar!”. Não afirmo, apenas sonho em silêncio… “Quero o seu bem, que ele tenha bons sonhos”, portanto, a resposta sai de letra… “Ah, filho, quando acordar, vamos fazer qualquer coisa juntos, você escolhe… qual é o seu sonho?” Quando acordar ainda vou sonhar.

©Sonho e desejo são diferentes. Ser pai e companheiro também. Ao servir aos desejos do outro, vê-se o sonho mais nitidamente belo, prazeiroso e incrivelmente leve. E todos os seres podem se beneficiar.

Férias dos Sonhos

Com tranquilidade, e alguma indiferença, fui recebido pelo meu anfitrião. Silencioso, ele abriu a porta e foi logo mostrando onde colocar as malas. Sua casa era um sobrado na periferia da cidade e tinha pouca alvenaria. Os detalhes em madeira maltratada pelo tempo davam um ar de pobreza ao lugar. Internamente também, a arrumação não era das melhores. Mas o amigo que o havia indicado era de confiança e, mesmo com um sinal de rudeza, ainda o tinha como um bom sujeito. Ofereceu-me uma cama em boas condições, pareceu-me até que era a mais confortável de todas. E indicou onde poderia me trocar. Ele precisava sair cedo de casa e rapidamente fomos dormir. Acordei com um barulho forte de gente batendo na porta. Por pouco não ruiu e tombou no chão. Levantei veloz. Ao abrir, um grupo de policiais – que mais pareciam da quadrilha do jogo do bicho – avançou. Contaram-me que estavam à procura do fugitivo. Em sua busca, na qual fui obrigado a descobrir um fundo falso no teto de madeira, encontraram mais de 5 armas de alto calibre. Duas delas, eu mesmo entreguei sem saber o que fazia. Foi tudo instantâneo e, de repente, encontrava-me sozinho de novo. Cheguei a pensar em sair em disparada, mas recuei. Fiquei com medo de que o homem, agora um barbudo do mal, voltasse e me fizesse refém. Mas recusei também o pensamento. Então, antes mesmo do almoço ele retornou. Sem receios, lhe contei o ocorrido. Ele olhou estranhamente. De pronto, emendei tudo o que senti sobre sua pessoa. Disse-lhe, sem pestanejar, que até arquitetava entregá-lo aos policiais. Mas fui sincero, outra vez, dizendo que meu coração não acreditava que ele pudesse ser aquilo. Seu rosto mudou na hora. Estava, de fato, perdido no tempo e no espaço. E minha aposta na sua credibilidade, franca e objetiva, gerou um sentimento de afeto dele para comigo. Algo que só os olhares explicam. Resolvemos, obviamente, fazer as malas. Agora, dos dois. Ele voltaria comigo para a minha casa. Estava me responsabilizando pelo seu desenvolvimento. Ambos sabiam dessa promessa interior. Abri os olhos e despertei para o dia 05 de agosto de 2009.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

Conto da Linha

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Ultrapassar o limite era tudo o que precisava para alcançar seu sonho. Com os pés cravados em frente àquela linha amarela, não havia um milésimo do relógio que não era atentamente acompanhado pelo sujeito. Esperava o sinal derradeiro para se lançar sem nada pensar. Sentia o corpo pulsar, o coração estava acelerado. Os pulmões ofegantes. O estomago fritava. Os impulsos eram fortes, mas não se comparava ao temor que batia em sua caixola. Será que ele ouviria o sinal de partida? Sim, havia um luminoso bem a sua frente, em tom vermelho encarnado. Mas e se alguém fosse o mais rápido? Não podia mentalizar essa dúvida estúpida, não agora. Ele não devia nem imaginar que isso podia acontecer! Mas a insegurança batia em seu peito, forte, feito criança. “Pára de pensar nisso! O sonho é mais importante. Só o sonho vale a pena…”, dialogava consigo próprio, aquele “ateurrorizado” ser. É triste ver como a mente absorve o intelecto do ser humano. Não há razões que superem os entraves psicológicos. Sigmund Freud, Carl Jung, Jacques Lacan, Mark Solmes e até a dupla sertaneja Cascatinha & Inhana estão certos. É na mais tenra idade que formamos as relações com o mundo que irão nos acompanhar para sempre. E nos momentos que desejamos ardorosamente alguma coisa, essa memória traumática é agitada como champagnhe barata de réveillon na praia; quente, que estoura pra cacete e faz espuma além da conta. Claro, não vamos dizer que doutrina do sangue frio é a solução dos nossos problemas. Mas olhar a vida com tensão também não dá tesão. O lance é que o purgante cenário era fato. Ele estava ali, sua cabeça era daquele jeito e não podia afrouxar um segundo sequer para conquistar seu objetivo. Então, após uma piscada de olho em câmera lenta, raios de luz emitiram o sinal esperado. Pééé… Sua reação foi imediata. Como um cavalo que salta buscando a pole do derbi, jogou seus músculos num movimento brusco alcançando o destino ferozmente e gritou alto, desembuchando todo sofrimento que havia guardado nos instantes fatídicos: “Me dá um sonho de creme?!”. Nem reparou na velhota atrás de si, que pegou a carteira com imagem do Batman exclamando… “Ôh, garoto, acorda!

©Inspirado no site da Mojo Books, onde você “mojifica” músicas com histórias que você imagina. Este conto foi soprado pela música “In the waiting line”, do grupo inglês Zero 7. Precisamos saber esperar na linha, pois a vida não tem o destino que imaginamos. Que todos os seres possam se beneficiar.