Papai Noel existe?

É Domingo. Sentado na sala, folheio um jornal qualquer em busca de algum sentido para todas as incertezas da vida. Sem muita atenção, apenas leio os títulos, analisando a mesmice gramatical e a imprudência ao abordar o que é sério com displicência. No meio do processo meu filho entra na sala com um papel sulfite A4 em suas mãos. O papel está desenhado com motivos natalinos e recordo a ocasião. Com um lindo sorriso no rosto, usual e característico, ele se vira para mim e diz… “Pai, olha que carta bonita o Papai Noel me escreveu o ano passado!” Ele se aproxima mais e relembramos o dia em que a carta chegou, junto com o presente almejado. Hoje, era dia de escrever uma nova carta ao bom velhinho, como a tradição manda. E nesta época é comum fazermos uma lista de opções, já que Papai Noel precisa entregar milhares de presentes numa só noite. “Como ele consegue papai?” …esta indagação já partiu de suas reflexões várias vezes. Mas a magia é a própria essência da vida. Ou não somos nós que construímos tudo o que nos rodeia? Sim, somos surpreendidos por centenas de “pacotes”, entregues todos os dias em nossas mãos. Um café da manhã bonito, um abraço na hora da despedida, uma atenção quando estamos tristes. Quem será que embala tudo isso e nos entrega a cada minuto? Vejo em meu filho as dúvidas que reinam em todos nós quando não entendemos a sutileza com que a realidade é formada. Papai Noel é somente um símbolo deste agrupamento, um argumento criativo que nos impele a acreditar na força da bondade, nossa verdadeira natureza. Volto os olhos ao Daniel e percebo suas construções mentais. Ele sonha, literalmente, como se estivesse na Terra do Nunca. De repente, vira novamente seu espírito transparente e comenta atento… “Nossa, pai, o Papai Noel desenha tão bem e faz tudo tão bonito…” …em casa, sou eu quem o ensina a desenhar e pintar… “…e olha como a letra dele parece com a sua!” …acho engraçado, afinal, ele está chegando aos 10 anos e começa a desconfiar e questionar aquilo que não é palpável; e completa… “Papai Noel existe?” Não desvio o olhar e apenas confirmo positivamente, com todo o amor que sinto por ele. E essa certeza é simpless, pois sua fantasia é mais verdadeira do que a visão materialista. Se algo existe na mente, então existe! E se ainda é um objeto de generosidade, melhor ainda! Porém, num desejo de formalizar racionalmente sua existência, complemento erroneamente… “quem você acha que compra todos os presentes para as crianças?” A resposta não poderia ser mais sublime… “Pai, o Papai Noel não compra, ele faz os presentes!” A magia volta a invadir meu coração. Feliz Natal.

©A beleza do Natal está no presente, na capacidade de sentir afeto e compaixão hoje! Que todos os seres possam se beneficiar desta verdade.

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Encruzilhada

Natal é símbolo de nascimento e de sofrimento. A vida de Cristo, mas principalmente a sua morte, deveria trazer aos homens forças suficientes para nunca julgar ninguém. Mas sempre que nos vemos na encruzilhada entre optar por nós ou pelos outros, acabamos por fazê-lo a favor do “eu”. Seja na disputa medíocre de acreditar que o poder é algo verdadeiro, sólido ou permanente; seja pela mera opinião, na articulação do pensar, que vangloria-se da certeza míope de que a mente intelectual é o máximo que o ser humano possui. Vivemos passando por essas cruzadas, nas famílias, nas escolas, nos escritórios, nas amizades. A imagem da cruz não representa dois caminhos que se cruzam, mas o ponto em que se tornam uma coisa só. Será que podemos escolher outros tipos presentes nesse Natal? Boas festas!