Súplica a Tara*

Ô Mãe Salvadora,

Que me ouve com amor e compaixão,

Quais são os grilhões,

Que me prendem a atenção?

Por isso peço a ti,

Com imensa gratidão,

Haja com veêmencia,

Mostre-me com decisão,

Cada passo no caminho,

Em busca da Iluminação.

Sou tolo, inábil e cheio de confusão,

Mas contigo em meu topo,

Renasço em profusão.

Ensina-me com diligência,

Oriente-me com resolução,

A ti estou atento,

Exercitando a prostração.

Quando temo sem lembrar,

De toda sua educação,

Limpe-me os olhos,

Da visão ignóbil,

Que só gera apego e aversão.

Mantenho-me forte, firme e resoluto,

Enxergando o concreto e o dissoluto,

O vicioso e o virtuoso,

O mundano e o espirituoso,

Hoje, até a hora do luto.

*Tara é conhecida como a mãe de todos os Budas. Ela representa a perfeição da mente iluminada manifestando-se em uma forma feminina. Tara é atividade e energia iluminadas, demonstrando a perfeita manifestação de sabedoria, além de qualquer conceito.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

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Avatares, chegou a hora!

Em 2003, Pierre Weil escreveu “Mutantes. Uma nova humanidade para um novo milênio”. Não é obra tão conhecida como “O Corpo Fala”, produzida em co-autoria com Roland Tompakow em 1980. Mas, talvez, seja muito mais importante hoje; quando os cinemas de todo o mundo são invadidos por multidões para assistir “Avatar”, do cineasta James Cameron. No livro, Weil contextualiza o Mutante com um Pontifex, antigamente, nome dado “aos construtores de pontes, em virtude dos rituais religiosos que acompanhavam essa construção”, que transformou-se em título de liderança espiritual, como Jesus Cristo, e posteriormente foi aplicado ao sumo pontífice, o Papa. Para Weil, o mutante que chega no novo século é ávido de conhecer a realidade última, sem vacilar em comparações impróprias entre textos sagrados. Sua liberdade permitirá a procura de explicações e confirmações que provem a existência de uma dimensão divina no universo. E funcionará como uma espécie de sinapse para que outros humanos possam reconhecer essa verdade. Neste sentido, ele se tornará um explorador das fronteiras psicológicas e corporais, construindo pontes sobre todas as fronteiras artificiais criadas por sua própria mente. E “a descoberta do caráter ilusório da fronteira da pele o levará a estender a última ponte: da dualidade exterior-interior”. Não pude deixar de reler o livro, logo após assistir ao filme de Cameron. Apesar de muitos críticos de cinema considerarem o roteiro uma historinha ingênua, arrastada e ecochata, aos meus olhos vi uma grande obra, capaz de tocar todos os índigos que chegam a terra desde o século passado. Sim, não é a toa que os Na’vi são azuis, possuem uma sensibilidade extra-sensorial, valorizam a natureza e os animais e são dotados de uma conexão com a energia universal. Muito menos cândido é também a sua revolta àqueles que depreciam sua sabedoria por ignorância e autoritarismo. O penúltimo capítulo do livro do fundador da UNIPAZ – rede internacional que promove a Cultura de Paz – é claro ao abordar o papel do mutante numa estratégia global de salvação da vida no planeta. O estado de consciência, a visão do universo, a perspectiva antropológica, os valores e as atitudes, os hábitos e comportamentos diários e a importância da transformação do estagnante (seres que vivem em estagnação mental) em mutante, são tópicos a se descobrir. Ora, e o que assistimos na história em Pandora (na mitologia, uma espécie de Eva; a primeira mulher criada por Zeus)? Um estagnante se transmuta em um ser azulado, dotado de capacidades além da percepção humanóide – leia-se humano robotizado. A beleza do argumento deve ser ampliada ao próprio James, afinal, sua história registra filmes como Aliens, O Segredo do Abismo e Exterminador do Futuro; que como o próprio título alerta, é a antítese da visão preservada em Avatar. Se o filme virar um épico é porque já há mutantes suficientes para empreender a grande transformação que a terra precisa para sobreviver. Feliz 2010.

©A palavra avatar tem origem do sânscrito (Avatara), que significa descida (de um ser divino à terra). Mas o processo de mutação pode ser inverso. Você pode buscar diversas formas de reconhecimento da sabedoria humana para alcançar o que é sublime. Com esta descoberta, naturalmente encontrará a valorização da natureza e poderá beneficiar todos os seres que estão ao seu redor. Acredite, vale a pena investir tempo e esforço nesta caminhada!

Ciência da Paz

Faz um mês que não escrevo no blog. Por um lado, não tive tempo de sentar calmamente e contar a vocês todas as grandes experiências que tenho vivenciado. Por outro, não importa tanto o tempo que demoramos para expressar verbalmente nossos bons pensamentos. Quando estamos embuídos em desenvolver a nossa mente para favorecer os todos os seres, a vida tolera qualquer tipo de suposto atraso. No fundo, ela até conspira a favor, fortalecendo as ideias e formando uma situação benéfica que eclode posteriormente com muito mais força. Permito-me dizer que este é o verdadeiro resultado da paciência. Da ciência que temos em aguardar em paz a chegada de um instante. A mente respira. Toma fôlego. E transforma-se lentamente em realização. Promova a ciência da paz dentro de si.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

Pobre de Doer

Era uma garota podre de pobre. As colegas da escola invejavam tudo o que ela não tinha. Sua falta de jaquetas de marca, sua certeza de não depender de nada para ser feliz. Era comum escutar, na vila onde morava, comentários curiosos a seu respeito… “nossa, tão humilde que dá raiva!”. Os vizinhos mais próximos, então, nem se fala. Viviam querendo saber o que ela não comprava… “e aí, não viu nenhuma sacolinha da Gang na mão dela não?”…“nem uma sandalinha havaianas essa antiperua comprou?”. Muitos achavam que ela fazia cena. Era um jeito fácil de escapar do desejo de ser podre de rica, sonho de muitos que ali moravam. Até sua mãe chegou um dia a colocá-la na parede, questionando o por quê dela ser tão presunçosa. E só não lhe bateu no rosto pois a irmã mais velha interveio, segurando a mão materna com o dedo em riste. Era triste, sua atitude modesta revelava a miséria daqueles que a cercavam. Sua postura singela era como uma faca de arrogância apontada para aqueles corações mesquinhos. Como poderia ela, pobre de nascimento, pura de necessidades materiais; ser tão livre da mendicância banal? Como poderia ser tão rica de propósito? Seu silêncio era ainda mais ensurdecedor. Provocava um ruído nas míseras mentes que a rodeavam. Por isso, não era incomum ver-se desprezada como restos jogados às moscas. Mas a menina tinha sonhos. Eram secretos, pois seria um risco revelá-los. Toda noite sonhava com um castelo dourado onde moravam seres virtuosos, cheios de potes de ouro. Sua certeza de que a fartura era tão ilusória quanto a privação era a chave de todo o mistério. Um dia, entretanto, bem no meio do sonho, teve uma idéia brilhante. Iria tentar levar para sua vida diária um pouco do ouro que ali tinha em abundância. E, então, acabaria com a miséria que assolava sua vila. Para tal, dirigiu-se para o rei do castelo, que lhe deu a seguinte resposta: “Você pode levar quanto ouro desejar para a pobre vila, mas ao fazê-lo nunca mais irá acordar lá. Viverá para sempre aqui, neste sonho”. A menina pensou, pensou e decidiu aceitar. Não pelo fato de viver em meio a riqueza, pois realmente aquilo não a importava. Mas por oferecer ao seu povo toda a fortuna que desejavam. E na manhã seguinte o que se viu foi digno das melhores fábulas. Em sua cama, feita de pau-a-pique e coberta com uma fina manta de algodão sujo, toda a família, os vizinhos e até os mais distantes moradores viram a menina deitada, gélida e amarela, virar um corpo dourado precioso, do mais reluzente ouro. E sentiram dor em ver nascer da pobreza um ato nobre. E se envergonharam em derreter a jovem num ato pobre.

©Que todos os seres possam se beneficiar.

Insólito Dia

Era um dia qualquer, desses que você nem percebe que está passando. Na sala de estar de um belo sobrado paulistano, amigos batiam um papo jocoso, depois de um excepcional almoço regado a vinho tinto de boa cepa. O assunto seguia na banalidade, talvez pela informalidade costumeira com que se encontravam nos finais de semana. Não era sempre assim, vez em outra surgia um tema filosófico na “parada” e logo todos se ajeitavam nas cadeiras, transpirando ares de intelectualidade. E foi num desses momentos que nasceu inesperadamente a reflexão do dia. Augusto, o bon vivant da turma, exclamou despretensiosamente uma frase usual, depois de espreguiçar os braços corplulentos e bocejar. “Puxa, mais um dia, gente… mais um dia…”. É interessante percebermos como as discussões eclodem de forma esporádica. Alguém levanta o pavio e logo tem outro que acende a primeira chama. E se o fogo pega, aí sim, todo mundo esquenta o assunto “labaredeando” idéias e opiniões inflamadas. “Taí, gostei dessa Augusto… mais um dia… e eu pergunto, o que é um Dia?”. “Heheh, muito boa… ou melhor, muito bom… aliás, bom dia! Porque essa foi pra acordar”. “Bom, (risos)… dia é um tempo que trasncorre, em alguma parte da terra, do momento em que o sol nasce até o instante que se deita, tendo uma duração aproximada de 12 horas”, exclamou o professor de geografia que sempre tinha dados precisos para as dúvidas do grupo. Era usual ter um “combatente” direto, o Astrólogo, que não demorou nem um milésimo de segundo para questionar… “Opa, opa… dia também é o tempo de vida, um decurso da existência, na qual somos influenciados por toda a energia cósmica. Portanto, dia também pode ser considerado um ato de realização… claro que tem uma contagem, porque essa ação dos astros varia a toda hora… mas, o fato é não podemos só pensar no movimento de rotação da Terra”. “Sim senhores…”, emendou o matemático de plantão, “…vocês estão chegando na questão. Reparem; seja na ciência, seja no misticismo, sempre haverá um cálculo possível de ser aplicado. Por quê?! Porque dia é igual a tempo, simples!”. “Não concordo, desculpe, você pode passar um dia inteiro no escritório; trabalhar, trabalhar e trabalhar, e só perder tempo. E aí, o cálculo vai por água abaixo. Dia é algo intagível, precisa ser vivido; experimentado para entrar na conta do tempo. Mas não é todo mundo que faz isso, né?”, aflorou o psicoterapeuta da casa. Havia tanto calor na conversa que eles nem se deram conta de um observador silencioso, bem ao alto. Um canarinho tinha se agarrado ao parapeito da janela principal e acompanhava com a cabeça ágil cada som disparado no ambiente. Entretanto, bastou que ninguém mais proferisse uma palavra para ele levantar vôo soltando um pio, chamando a atenção de Augusto… “Olha lá, gente, ficamos tão presos em descobrir o significado do dia, que ele se foi…”. Augusto até tentou apontar o dedo para o pássaro amarelo dourado, mas nos ouvidos de todos ficou a nítida sensação de que era o dia que fugia das mãos.

©Ao tentar definir, perdemos a definição mais precisa. O sentido de tudo isso não é acumular conhecimento. Não é provar o sabor da concordância. Não é colocar na ponta do lápis a soma do que se tem. Pessoas, coisas, situações, alegrias, tristezas e qualquer pensamento que você possa ter, vai, do mesmo jeito que vem. Quando não estamos atentos, não percebemos a sua existência, como o passarinho que pousou misteriosamente. Mas quando a mente está alerta, podemos apreciar a beleza do movimento, lento e sereno, da existência que nos rodeia. Se um dia passa sem essa percepção ele é em vão. Se ele acontece, você está feliz, agora, em todos os dias. Que todos os seres possam se beneficiar.

A resposta do Sábio

Enquanto esperava a patrulha policial passou por mim um homem. Andarilho de profissão, nem notou a minha presença sentado na encruzilhada. Confiante na força do universo, chamei-o com rapidez: “Senhor, por favor, gostaria de pedir uma opinião”. Para minha surpresa ele não se espantou. Apenas parou na minha frente e acenou com a cabeça, enquanto continuei com a questão. “Estava vindo por essa estrada, muito bela por sinal, e vi esse caminho que me deixou intrigado. Porém, desde a hora que parei, até agora, não sei qual dos dois caminhos seguir. Você conhece essa pequena trilha? Sabe onde vai dar?”. Serenamente, ele fitou meus olhos com precisão e disse: “Não, nunca trilhei esse caminho. Mas posso lhe dizer onde dará. Se por esta grande via, de riqueza e alegria, irás encontrar o que sempre experimentou na vida, pela estreita também encontrarás o mesmo. Lá não há asfalto no chão, mas ainda há chão. Não tem palácios astronômicos, mas há o abrigo que o protegerá do sol e da chuva. Não há banquetes, mas há frutos até mais saborosos, pois os vai encontrar ainda puros, no pé”. Terminou e ameaçou partir, mas o impedi novamente com outra dúvida: “Sim, entendo, mas acho que ainda não tenho uma resposta clara. Tudo isso é verdade, porém…”. Desta vez foi ele quem interferiu na minha fala, de forma abrupta, confesso. E, mais claro do que nunca exclamou: “Tudo isso NÃO é verdade! O que busca, tanto num caminho, como no outro, não poderá ser alcançado. Porque os dois são ilusórios.”

©Este post é uma sequencia do anterior. Agradeço ao universo por trazer a minha mente-coração as respostas que elucidam o caminho. E desejo que elas possam iluminar o caminho de todos os seres.

Você tem a resposta?

Na velocidade da vida vejo uma grande via se tornar mais rica do que nunca. Noto a distância palácios suntuosos feitos de ouro puro. Pomares com lindos frutos que devem possuir um néctar de especial sabor. Vejo celebridades e famosos acenando, brilho e festividade. Na estrada que caminho, o cenário a frente parece belo e cheio de alegria e diversão. Discretamente, entre arbustos escondidos, percebo uma pequena trilha de terra que parece levar a um lugar desconhecido. Não há nada que chame a atenção, apenas uma voz interior intuindo para parar. Então, confio e paro. Me deparo em uma encruzilhada mental. Lembro de pessoas queridas que me esperam, olho novamente para o caminho escondido. Não sei o que fazer. Sinto-me inerte. A brisa que sopra pela via estreita refresca o meu rosto, mas volto a mirar o horizonte que está ali, tão prazeiroso. Tão perfeito, tão real. Decido sentar no acostamento. Centenas de veículos passam. Os mais generosos oferecem carona, mas não é esse o dilema. Recuso com um sorriso confuso. Se pelo menos as pessoas que amam já estivessem aqui. Eles só vão sair mais tarde, talvez outro dia, não posso esperar. Decido confiar na sabedoria do universo e começo a perguntar a quem passa novamente pela grande via. O primeiro, me diz que devo esperar a polícia rodoviária. Eles são os responsáveis pela travessia, ressalta com certeza, e certamente terão a resposta. Aparece o segundo, um pouco apressado. Ele diz que o caminho é muito escondido, não deve levar a nenhum lugar. Chega o terceiro. Esse é mais curioso. Dá três passos sujando o pé de lama e volta deixando mais uma vez a dúvida no ar. Com o passar do tempo, como tudo que acontece na vida, me sinto mais tranqüilo. Observar a diversidade de atitudes me faz recordar uma música dos Titãs; “ninguém sabe nada”. Olho mais uma vez para a estradinha e descubro uma mensagem escrita em uma árvore. “Proibido a passagem de pessoas não autorizadas”. Sinto um arrepio, o interesse aumenta. De certa forma, a dúvida acaba. Quero saber o motivo da proibição. Decido, então, esperar a patrulha passar para conversar e entender os motivos. Amanhã trago a conclusão que for possível chegar e, provavelmente, novas considerações. Se você tiver alguma resposta, comente até amanhã. Isso aqui é pulsante e altamente vivo, quem sabe outra mente tem a explicação.

 ©Que outro ser possa me beneficiar para que possa beneficiar todos os outros.